Me chame no WhatsApp Agora!

Ezio Vinicius Santos

Diretor de Operações da Aperam BioEnergia

OpCP84

Automação, escassez de mão de obra e o novo ciclo da indústria
Durante décadas, a automação industrial esteve associada principalmente ao aumento de produtividade, à padronização de qualidade, à redução de custos e ao ganho de escala. Esses fatores continuam centrais para a competitividade da indústria. Mas um novo componente passou a acelerar esse processo em escala global: a crescente escassez de mão de obra qualificada.
 
Hoje, a automação já não avança apenas por eficiência operacional. Em muitos setores, ela passou a ser uma resposta direta à dificuldade de contratação, ao envelhecimento populacional e às mudanças no perfil das novas gerações de trabalhadores.

O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que a falta de talentos qualificados se tornou um dos principais fatores por trás da aceleração da automação, da robotização e da adoção de inteligência artificial nas empresas. O estudo mostra ainda que, até 2030, metade dos empregadores pretende reorganizar seus negócios em resposta à IA, enquanto dois terços planejam contratar profissionais com competências específicas ligadas à tecnologia.

Atividades marcadas por grande desgaste físico, repetitividade manual e maior exposição operacional vêm perdendo espaço e sendo rapidamente transformadas. 

Máquinas equipadas com sensores, telemetria, sistemas embarcados, IA e monitoramento remoto estão redefinindo o perfil dos profissionais e das operações industriais. A automação e a robotização têm elevado o nível técnico das atividades, criando funções mais qualificadas e avançando em segurança, ergonomia e condições de trabalho.
 
Automação avança também na silvicultura: Historicamente marcada por atividades intensivas em mão de obra, a operação florestal também atravessa uma rápida transformação tecnológica. Na Aperam BioEnergia, a automação industrial e florestal passou a ocupar papel estratégico não apenas pela busca de eficiência operacional, mas também pela necessidade de adaptação ao novo cenário do mercado de trabalho.
 
Um dos exemplos mais relevantes é o desenvolvimento dos fornos FAP 2000, atualmente o maior do mundo para produção de carvão vegetal. Totalmente automatizados e patenteados pela Aperam, os equipamentos operam com alta performance e tecnologia disruptiva. Além de ampliarem a segurança operacional dos colaboradores, os fornos trouxeram ganhos ambientais importantes, com maior eficiência energética, melhor aproveitamento da madeira e redução das emissões atmosféricas associadas à carbonização.
 
Outro avanço importante foi a incorporação da Plantma-X às operações florestais. O equipamento realiza o plantio mecanizado e georreferenciado de mudas de eucalipto, permitindo rastreabilidade individual, maior padronização operacional e aumento expressivo de produtividade. Com capacidade de plantar até 2.700 mudas por hora, a tecnologia elevou a eficiência das operações e reduziu o esforço físico em atividades historicamente associadas ao plantio manual. Somos a primeira empresa do setor com 100% do plantio totalmente mecanizado.

A nova fronteira da qualificação industrial: A tecnologia já transformou até mesmo a gestão de pessoas, com o uso crescente de inteligência artificial em processos de recrutamento, seleção e desenvolvimento profissional. Nos treinamentos operacionais, métodos tradicionais baseados apenas em leitura de normas e manuais vêm sendo substituídos por simuladores, realidade virtual e ambientes imersivos, capazes de reproduzir situações reais de operação. O objetivo é tornar a formação mais prática, dinâmica e aderente às exigências da indústria atual.
 
Esse modelo reduz riscos, acelera a curva de aprendizagem e melhora a preparação técnica das equipes. Em muitas operações, profissionais que antes executavam atividades predominantemente manuais passaram a atuar na condução de máquinas, sistemas automatizados e equipamentos digitais. O movimento amplia possibilidades de crescimento profissional, melhora as condições de trabalho e eleva o nível técnico das atividades industriais.
 
Segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria – ONI, da Confederação Nacional da Indústria – CNI, o Brasil precisará qualificar 14 milhões de pessoas para ocupações industriais nos próximos anos. Desse total, 2,2 milhões correspondem à formação inicial para preenchimento de novas vagas e reposição de profissionais inativos, enquanto outros 11,8 milhões representam trabalhadores que precisarão passar por atualização e requalificação técnica.

O futuro da indústria combina tecnologia e pessoas: A automação industrial é irreversível. Mas seu impacto não será definido apenas pela capacidade das empresas de incorporar equipamentos mais modernos às operações. Máquinas mais inteligentes exigem operações mais sofisticadas e profissionais preparados para atuar em ambientes industriais cada vez mais digitais e automatizados. Nesse novo cenário industrial, formar e requalificar profissionais deixaram de ser apenas uma política de desenvolvimento interno.
 
Falando em como fazemos, na Aperam, reconhecemos que a vanguarda do setor reside na capacidade de integrar automação e desenvolvimento humano. Por isso, nosso compromisso é garantir que cada colaborador seja continuamente treinado e desenvolvido, por meio de um plano de carreira estruturado, focado nas competências exigidas pelo novo ciclo da indústria. Essa estratégia nos capacita a transformar a tecnologia em conhecimento aplicado e a sustentar a competitividade na empresa, nos dando a certeza de que venceremos os desafios atuais e futuros do mercado global.