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Alexandre Masotti

Diretor de Produção da Móveis Mazotti

Op-CP-29

Eucalipto: a madeira nobre e sustentável

Sustentabilidade é um assunto novo e que está em pauta de forma destacada. Nas empresas do segmento moveleiro, ele surgiu no início dos anos 90, quando as notícias sobre o desmatamento desenfreado das florestas tropicais e a preocupação com o futuro do planeta, com relação aos bolsões de oxigênio por eles gerados, passaram a chamar a atenção de todos.

É claro que, sendo as florestas a fonte de matéria-prima do setor, cedo ou tarde esse desmatamento iria reduzir significativamente a oferta de madeira. Hoje, temos plena consciência ambiental, mas, na época, ela era pequena.

Concluímos que algo deveria ser feito. Os produtos alternativos existentes naquela época eram o Pinus eliotis e as chapas pré-fabricadas de aglomerado, matérias-primas consideradas “pobres” para a elaboração do nosso produto, que era caracterizado pelo uso da madeira maciça e com design mais “madeirado”. Os consumidores não aceitavam outra madeira que não fosse mogno, cedro, tauari e jequitibá. Como era de se esperar, os custos da madeira elevaram-se rapidamente pela sua demanda e oferta.

Era necessário encontrar uma alternativa que pudesse ser fornecida com regularidade e qualidade em termos de tonalidade, desenho de veias das fibras e características técnicas necessárias para a produção e aparência. E que pudesse suprir o exigente mercado de móveis, que, na época, adquiria produtos com acabamentos em tons claros.

Após várias pesquisas, nossa empresa constatou que, a partir das espécies disponíveis, o Eucalyptus grandis (originário da Austrália) atenderia a esses quesitos e aos três mais importantes: preço, oferta e regularidade de entrega, além de ser a primeira madeira nobre oriunda de plantio florestal.

Nossas primeiras aquisições foram feitas na Flosul/Renner, distante a apenas 200 km da nossa empresa. Resolvida essa primeira etapa, nos deparamos com o problema da secagem da espécie, já que o programa de secagem que tínhamos era para as espécies tropicais que utilizávamos.

Foram necessárias muitas experimentações até chegarmos a uma madeira pranchada que pudesse passar nesse processo e que tivesse as mesmas vantagens construtivas das madeiras nativas. Nesse período, surgiu no mercado a madeira de eucalipto fornecido pela Aracruz em pranchas secas a 10% da umidade, mercadologicamente chamado de Lyptus e que atendia a todas as nossas expectativas.

A empresa foi uma das pioneiras em utilizá-la para um produto hy-end; formamos, então, uma excelente parceria, que durou alguns anos. Até que, por políticas cambiais e internas, o preço tornou-se proibitivo.

Logo após, a Flosul equipou-se com uma nova serraria e estufas modernas, e nós passamos a utilizar seus produtos (que possuem a certificação FSC) até o presente momento. O produto é certificado como um recurso inteiramente renovável, 100% obtido de plantações de florestas.

Foi um longo e arriscado trabalho. Tínhamos que aprender o manuseio dessa espécie e, ao mesmo tempo, apagar, no mercado, o preconceito que havia sobre ela. Mas, com o trabalho de pesquisadores no desenvolvimento de material genético apropriado, manejo florestal específico, tecnologia de desdobro e processos de secagem, conseguiu-se, em parceria com nossos fornecedores, uma madeira de qualidade apropriada.

O eucalipto, hoje, tem o status de madeira nobre, pois possui densidade, resistência e propriedades técnicas parecidas com as do carvalho e da faia. Sua aparência é comparada ao mogno e ao jatobá. Nossos produtos sempre foram associados a um ótimo design e qualidade, e fazer, na época, móveis com a madeira eucalipto parecia uma insanidade.

É gratificante olhar para trás e perceber que todo esse esforço e trabalho geraram reais resultados positivos, não só para o desenvolvimento de produtos, mas também para a consciência ambiental coletiva. Estamos certos de que nossa empresa e nossos consumidores estão contribuindo para preservar nossas florestas e nos orgulhamos de ter um produto que não agride o meio ambiente.