Me chame no WhatsApp Agora!

Alberto Gappmayer Biscaia

Coordenador de Planejamento e Mensuração Florestal da Eldorado Brasil Celulose

Op-CP-56

Geotecnologias no planejamento florestal
As empresas de produção de celulose no Brasil têm apresentado ganhos expressivos com a otimização do uso de geotecnologias. Elas auxiliam a melhor posicionar o País no mercado internacional e contribuem significativamente para a estabilidade e a sustentabilidade operacional, ambiental e social. Nesse sentido, o planejamento florestal entrou em uma nova era com os avanços tecnológicos e permitiu maior controle, segurança e qualidade na programação do abastecimento fabril.
 
Dessa forma, o cronograma do uso dos estoques de madeira em campo e pátios estima as metas para as operações de colheita e transporte em função do menor custo para produção de celulose. Para os próximos 6 anos, o planejamento foi detalhado mês a mês, por região, eixo viário, fazenda e período climatológico, onde são dimensionadas as necessidades de caminhões, gruas e harversters, bem como o volume a ser movimentado e os custos, atribuídos.
 
A assertividade desses resultados do planejamento otimizado permite uma rápida tomada de decisão e é fundamentada, em grande parte, pelo uso de geotecnologias. Mas será? Bem, gostaria de compartilhar algumas percepções dos meus gratos 18 anos de imersão na engenharia florestal. De forma sucinta, abordarei esse tema tão amplo através da contextualização do uso de alguns recursos.
 
VANTs: Os veículos aéreos não tripulados democratizaram e simplificaram os levantamentos aéreos. Os aeromodelos que se assemelham a aviões ou a helicópteros estão se tornando cada vez mais acessíveis, robustos, leves e com maior autonomia de voo e capacidade de carga. Imagens com resolução entre 3 e 10 centímetros permitem realizar o cadastro da fazenda, distinguindo as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal das áreas produtivas. Com base em um modelo tridimensional do terreno, são planejadas as estradas, talhões e linhas de plantio, estas gerando arquivos georeferenciados que são utilizados em tratores com piloto automático na operação de subsolagem, o que aumenta a conservação do solo, a segurança em operações noturnas e os resultados a curto e longo prazo. Após 3 meses do plantio, voos são realizados para comprovar a qualidade operacional da silvicultura, determinando a área efetivamente plantada, a sobrevivência, a dimensão das copas e o grau de homogeneidade do plantio. Durante o período de crescimento da floresta, o VANT pode ser utilizado no inventário florestal (laser embarcado), na avaliação de sinistros e na área de proteção a pragas e doenças (monitoramento e lançamento de iscas). Na colheita, podem-se verificar os resíduos no talhão após o término da operação e a qualidade no baldeio e empilhamento.
 
CONSTELAÇÃO DE SATÉLITES: Essa opção está sendo aproveitada para o uso comercial e é formada por centenas de nanossatélites que pesam 4 quilos e medem 30 centímetros de comprimento, fornecendo imagens diárias com resolução entre 3 e 5 metros. Uma ferramenta poderosa para planejamento, monitoramento, controle e gestão florestal e utilização em toda a cadeia produtiva. Na cronologia de uma área de produção florestal, as imagens podem ser utilizadas para levantamento cadastral inicial, mapeamento de acessos, acompanhamento das operações de silvicultura (limpeza da área, abertura de estradas e subsolagem), monitoramento de níveis de matocompetição, geração de mapas de produtividade (ao combinar os dados com resultados de inventário), detecção de sinistros (quebra por vento, seca edáfica, pragas e doenças) e monitoramento das áreas de preservação. Do corte até o término do transporte, as imagens são utilizadas para o microplanejamento e posterior acompanhamento, praticamente em tempo real, das operações de colheita, baldeio e transporte, inclusive os estoques em pilhas de madeira.
 
SATÉLITES: Imagens com resolução superior a 15 metros são geradas há mais de 30 anos e, embora não tenham a temporalidade obtida com as “constelações” de satélites, são extremamente valiosas para estudos estratégicos de área, idade e volume de plantios florestais em larga escala. Hoje, plataformas on-line disponibilizam comparativos temporais com resultados espaciais, gráficos e tabulares. Essas informações são utilizadas para o planejamento estratégico de expansão, compra e venda de ativos florestais. Com os satélites, também são gerados modelos tridimensionais do terreno que podem ser utilizados para modelar estratégias de manejo florestal, que, por sua vez, consideram a bacia hidrográfica, declividade e exposição solar. Relacionado às estimativas de volume por imagens de satélite, a assertividade dos resultados tem aumentado ao combiná-las com dados de campo e novos conceitos de modelagem, o que indica que, possivelmente, podem-se reduzir as medições em campo sem perder a qualidade dos resultados.
 
FORMULÁRIOS DIGITAIS: Atualmente, os formulários digitais são georreferenciados e podem ser sincronizados com o banco de dados. A versatilidade permite padronizar as informações no momento da coleta e a inclusão de imagens e fotografias. Apontamentos de produção de operações, equipamentos ou equipes são comuns nas áreas operacionais. As jornadas de trabalho em campo também começam a ser registradas com esses recursos, fazendo uma leitura do QR code do crachá do colaborador e registro fotográfico. Em termos de microplanejamento, formulários de pontos de coleta de água, pontes, condições das estradas, comunidades no entorno, ocorrência de sinistros, pragas e doenças, dentre outros, estão automatizando e acelerando os processos, dando maior autonomia às áreas e disponibilizando os resultados em tempo real.
 
RASTREABILIDADE: Sensores de localização espacial são utilizados em frota de veículos leves e caminhões, bem como em equipamentos e implementos agrícolas. Dados como velocidade, quilometragem, horário de início e tempo de uso, consumo de combustível, rotação do motor, dentre outros, podem ser rastreados e visualizados. Os dados podem ser utilizados ainda para ações em tempo real e modelagem, como na decisão do uso de determinado eixo viário por hora, trecho ou época do ano (despacho dinâmico). Podem-se, ainda, verificar os ganhos em velocidade média após o investimento ou obras na malha viária.
 
MONITORAMENTO: O monitoramento em tempo real de incêndios florestais é um bom exemplo do uso de geotecnologia. Através de uma rede de torres com câmeras de altíssima resolução, a tecnologia do sistema identifica, de forma automatizada, os focos de incêndio, determina a sua exata localização e registra as imagens e horários. Outro exemplo são as estações meteorológicas móveis georreferenciadas, que, por sua vez, permitem acompanhar as condições em campo para decisão de operações silviculturais aéreas e de transporte.
 
PLANEJAMENTO ESPACIAL: O planejamento estratégico, tático de colheita e transporte, bem como o planejamento tático de silvicultura são realizados em softwares especializados que utilizam informações espaciais. Desse modo, as empresas florestais têm conseguido ganhos expressivos com conceitos de regionalização das equipes operacionais (alocação da mão de obra e recursos), formação de blocos de colheita, otimização de investimentos em rede viária (estradas não pavimentadas), posicionamento de estoques nas estações de seca e chuva e uso dos eixos rodoviários e modais de transporte (hidrovias e ferrovias). Os resultados são espacializados e visualizados em plataformas de uso comum.
 
SIG: A área de Sistema de Informações Geográficas nas empresas florestais tem papel fundamental no uso de geotecnologias. Praticamente todos os recursos comentados acima, além de inúmeros outros, são organizados, estruturados, armazenados, correlacionados, analisados e disponibilizados em plataformas específicas locais (intranet) ou on-line. Avanços constantes nessas tecnologias vêm aumentando o poder de processamento, automatização e disponibilização dos resultados em diferentes plataformas. Dessa maneira, o usuário final pode consultar, de forma interativa e customizada, as informações em computador, tablet ou celular.
Portanto os avanços em geotecnologias possibilitam o acompanhamento e a atualização constante das operações, do banco de dados e das condições dos estoques, viabilizando, dessa forma, a constante atualização do planejamento em seus diferentes níveis e facilitando a rápida tomada de decisão. 
 
O setor florestal terá ganhos ainda mais expressivos com os avanços geotecnológicos que estão por vir. A formação de bancos de dados confiáveis, cada vez mais robustos e completos, está refletindo a complexidade do dia a dia, o que permitirá um entendimento mais profundo dos impactos de cada variável coletada em um futuro bem próximo.