Me chame no WhatsApp Agora!

Augusto Praxedes Neto

Gerente de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Jari Celulose

Op-CP-16

Ainda há tempo para mudar. Mãos à obra!

O meio ambiente não deve ser compreendido apenas como o espaço da natureza, das plantas, dos animais, dos recursos hídricos e minerais. O meio ambiente deve ser entendido com base numa visão holística, como um espaço físico-universal, onde há uma interação social, ambiental, cultural e econômica que está em permanente mudança. Meio ambiente somos nós e tudo que nos cerca.

Se observarmos a história, até bem pouco tempo, a maior parte das transformações do planeta, como as grandes alterações geológicas, ocorreu de forma natural, independente da ação humana e até mesmo antes de sua existência. São terremotos, vulcões e outros fenômenos naturais de enormes proporções, que, se por um lado provocam destruição, por outro alteram a paisagem, fazendo surgir montanhas e ilhas, separando continentes e unindo outros.

Essas alterações no relevo terrestre pertencem à dinâmica natural do planeta e têm influência no clima e na biodiversidade. Não há quem nunca ouviu falar da famosa teoria da seleção natural, do cientista Charles Darwin, que a desenvolveu viajando pelo mundo, observando não só os diferentes seres, mas também as mudanças geológicas sofridas pela Terra.

Concluiu que, se o planeta sofre mudanças significativas na sua forma física, os seres que não tiverem condições de se adaptar às mudanças acabam extintos, o que pode ter acontecido com os dinossauros.
Ainda de acordo com Darwin, se o planeta muda, seus habitantes também mudam. E nosso planeta ainda está em constante mudança.

O relevo ainda está sendo moldado pela ação das forças naturais, que continuam a girar no decorrer de milhões de anos, forças que têm provocado mudanças mais visíveis quando agem de dentro para fora da terra, como nos eventos de tectonismo, vulcanismo e nos abalos sísmicos. Tivemos um exemplo recente, em dezembro de 2004, por ocasião do tsunami que matou quase 250 mil pessoas em doze países banhados pelo oceano Índico.

Em 2006, dois anos depois, a respeitada revista Science publicou estudos com dados de dois satélites da NASA que confirmaram mudanças sofridas pela Terra após o tsunami. Aquele movimento sísmico no oceano Índico, que teve magnitude de 9,1 pontos na escala Richter, teria ocorrido como resultado da sobreposição de duas placas continentais sobre uma falha no leito marinho do oceano Índico.

Segundo o estudo, o terremoto elevou o fundo marinho a vários metros sobre uma superfície de milhares de quilômetros quadrados, com pelo menos duas mudanças na estrutura geológica da região. É importante ressaltar que as transformações naturais foram e serão sempre necessárias para a existência do planeta e da própria humanidade.

A natureza foi sábia ao nos proporcionar tantos recursos, capazes de suprir as demandas de quem vive no planeta, mas é fundamental que haja equilíbrio entre a ação humana e a capacidade de suporte dos recursos naturais, pois a velocidade de consumo é muito mais intensa do que a sua renovação. Essa equação, no entanto, nos obriga a administrar com responsabilidade o que temos disponível, pois a maioria desses recursos é finita.

As mudanças climáticas que hoje observamos são, em muitos casos, senão em sua maioria, resultado desse desequilíbrio, da ação predatória do próprio homem em relação ao seu habitat. Consequência da sua dissociação, da postura de ser superior, aquele que domina e não aquele que compõe. E, ao se colocar como algo isolado do meio ambiente, como alguém imune, que não exerce impacto, coloca em risco sua própria existência.

Buscar esse equilíbrio é questão de honra para a raça humana, que deve repensar seus valores, passar a produzir e gerar riquezas de modo ético e responsável, a adotar o consumo consciente e socialmente justo, a investir na educação ambiental.
Se não encararmos a sustentabilidade como parte de nossas vidas, como algo que deve estar presente em cada ação do nosso dia a dia, não teremos como garantir as futuras gerações. E talvez nosso destino seja o mesmo dos dinossauros: peças arqueológicas de uma espécie que um dia habitou esse planeta. Mas ainda há tempo para mudar esse cenário, é só uma questão de consciência e, principalmente, de atitude. Então, mãos à obra!