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Ivan Tomaselli

Presidente da STCP

OpCP85

Novas tecnologias e oportunidades de negócios
Os movimentos globais, com novos conceitos e parâmetros ambientais e sociais, estão reposicionando as florestas como ativos estratégicos. A transição para uma economia de baixo carbono é baseada no aumento de investimentos que estão relacionados com a geração de energia renovável, a bioeconomia, a preservação de solos, a qualidade da água e de outros componentes fortemente vinculados às florestas. Isto tem enfatizado o papel das florestas como ativo produtivo sustentável, que, além da função econômica, passa cada vez mais a corroborar para a adoção de soluções vinculadas aos desafios ambientais e sociais. 
 
Os investimentos globais na transição energética e descarbonização têm crescido exponencialmente. Em 2025, somente neste componente, o valor investido atingiu US$2,2 trilhões. Parte deste investimento é destinado a atividades vinculadas direta ou indiretamente com o setor florestal. Para exemplificar, no Brasil as projeções indicam que o consumo de madeira para energia em 2035 deverá atingir entre 110 e 140 milhões de m3. Esta madeira é destinada principalmente para atender à demanda de energia do agronegócio, o que demandará de 4 a 5 milhões de hectares de florestas plantadas de alta produtividade.

O setor florestal, assim como outros setores, é cada vez mais dependente de sistemas de informação. A Inteligência Artificial (IA) está disponibilizando dados e facilitando a análise de informações para decisões rápidas e mais assertivas. Hoje, a IA já é uma ferramenta de apoio a gestão e tomadas de decisões no setor florestal envolvendo atividades relacionadas a inventários florestais, detecção de incêndios e pragas, predição de crescimento e produtividade, monitoramento ambiental, rastreabilidade, industrialização e comercialização de produtos florestais e outros temas. 

Novas tecnologias estão impulsionando a transformação do setor florestal. Facilitando o acesso a informações, se facilita a adoção destas novas tecnologias e o monitoramento contínuo das atividades. Este conjunto permite solucionar limitações como a disponibilidade de mão de obra e contribui para ganhar produtividade nas florestas e na indústria, que no conjunto reduz os custos e melhora a segurança das operações.

Com a automação se transformam as operações intensivas de mão de obra em sistemas digitais, conectados e orientados por dados.Além disso, inovações fazem com que novos produtos ganhem mercado, entre eles, o carbono, biocombustíveis, bioplásticos, “mass timber”, nanocelulose e outros. Trata-se de soluções que ampliam o papel das florestas para além de simplesmente ofertar produtos de madeira ao mercado. Entre as inovações, se destaca a desenvolvida para a substituição de materiais tradicionais por solução baseada em “mass timber”. Esta solução considera a oferta de produtos inovadores, de baixa emissão de carbono para construções, como o CLT, MPP, GLULAM, DLT e outros.
 
Na área industrial, a inovação envolve também a otimização e adoção de novos processos, mais eficientes. Na secagem de madeira, processo altamente demandante de energia, os desenvolvimentos de equipamento têm sido direcionados ao uso de energia solar baseada em câmara coletor, geração fotovoltaica, sistemas de gerenciamento e armazenamento de energia. A evolução tem também sido direcionada ao desenvolvimento de processos mais dinâmicos e eficientes, como o da secagem cíclica. 
 
Toda esta evolução requer profissionais florestais com bases sólidas, mas que a formação envolva também um conhecimento diversificado e uma visão ampla do negócio florestal. O profissional deve ter habilidade e dedicação para transformar a informação em conhecimento. Deve ganhar experiência com acertos e erros, ser engajado e dedicado na busca de opções para introduzir inovações. 

Considerar as demandas atuais e as tendências de mercado é fundamental para o profissional florestal. O setor florestal está sendo cada vez mais influenciado pelos fatores ambientais, sociais e de governança. É pouco provável que este cenário seja alterado nas próximas décadas, e o profissional florestal deve estar preparado para contribuir nos desenvolvimentos e oportunidades gerados pela transformação em curso.