Com fábricas modernas que têm à disposição uma gama de recursos tecnológicos, os processos florestais avançaram rapidamente para assegurar a constância, a qualidade e o volume de matéria-prima entregue, suportando a cadeia produtiva de celulose. Claro, a produtividade das unidades fabris não pode ficar à mercê de processos produtivos florestais menos tecnológicos e não sustentáveis. Isso é positivo porque, na prática, vemos áreas florestais e industriais altamente conectadas que destacam mundialmente a produtividade do setor no Brasil.
Os números falam por si. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores – IBÁ, o País produziu 29,4 milhões de toneladas de celulose em 2025, quase 7% a mais do que no ano anterior, além de 11,3 milhões de toneladas de papel. As exportações de celulose atingiram recorde histórico de 20,7 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, o setor mantém mais de 700 mil empregos diretos e 2 milhões indiretos em mais de mil municípios.
A despeito do quanto tenham avançado e do quão distante os recursos tecnológicos permitem ir, as empresas que cultivam árvores comercialmente enfrentam, no dia a dia, o desafio de encontrar profissionais qualificados para assumir posições-chave que sigam impulsionando a modernização no setor.
Dados gerais da indústria brasileira dão uma dimensão do que acontece também no setor de base florestal. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai, estima que precisará qualificar mais de 9,4 milhões de trabalhadores até 2028 para atender à indústria. Ao mesmo tempo, mais de 14 milhões de pessoas precisarão de formação ou requalificação para acompanhar o avanço da automação, inteligência artificial e transformação digital.
A experiência em curso da Arauco em Mato Grosso do Sul ilustra essa realidade. Com atuação orientada por práticas ESG e reconhecida por seus padrões de sustentabilidade, entre eles a certificação FSC – Forest Stewardship Council, o PEFC – Programme for the Endorsement of Forest Certification, e a certificação Carbono Neutro, a Companhia conduz um dos maiores projetos industriais em implantação no País, o Projeto Sucuriú.
Em Inocência-MS, a Arauco está pondo em pé a maior fábrica de celulose do mundo construída em etapa única com capacidade para 3,5 milhões de toneladas anuais. Para sustentar este volume, a Arauco necessitará de 12 a 13 milhões de m³ de madeira ao ano e uma área entre 400 e 420 mil hectares de plantios de eucalipto.
Em meados de 2026, o empreendimento deverá reunir cerca de 14 mil trabalhadores no canteiro de obras, evidenciando também o tamanho do desafio de atrair, formar e qualificar profissionais para uma operação altamente tecnológica e sustentável. Isso acontece ao mesmo tempo em que a Companhia está estruturando um ramal ferroviário próprio para conectar a fábrica ao Porto de Santos, em São Paulo, de onde a celulose será escoada para clientes globais nos Estados Unidos e, também, em países da Ásia, da Europa e do Oriente Médio.
Naturalmente, um empreendimento dessa dimensão amplia a demanda por profissionais em muitos segmentos econômicos da região, produzindo um efeito transformador importante que não se restringe às atividades da Arauco. Como foi dito antes, para que a indústria possa dar o máximo de seu potencial, é preciso que o suprimento de madeira seja constante, de qualidade e no volume adequado. E especialmente diante de fatores climáticos tão desafiadores, em que dominar metodologias avançadas de monitoramento e controle faz toda a diferença, é imprescindível contar com equipes preparadas.
Neste contexto, partindo da premissa de que a Arauco busca contribuir para um ciclo completo e consciente de desenvolvimento, com oportunidades de crescimento e prosperidade para todos, o Projeto Sucuriú foi planejado com o intuito de promover qualificação e a inclusão dos moradores. Por isso, a empresa vem investindo em cursos, especialmente na Costa Leste de Mato Grosso do Sul, a fim de criar condições para que o maior número de pessoas possa participar dos processos seletivos para as vagas nas atividades florestais, industriais e logísticas.
Estas iniciativas incluem parcerias com o Governo de Mato Grosso do Sul, prefeituras de Inocência, Três Lagoas e outros municípios, e instituições do Sistema S, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial– Senai, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Senac, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar, além do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae.
Um dos exemplos destas iniciativas é o Programa de Formação de Motoristas, que vai alcançar um público de mil pessoas na região e que tem como objetivo viabilizar que condutores com habilitação B ou C possam, no médio prazo, progredir para a E e fazer parte do time logístico e operacional da futura fábrica. Curiosamente, a iniciativa está atraindo bastante o interesse do público feminino. Na primeira turma, iniciada em abril, as mulheres representaram 45% do total de alunos.
A Arauco também lançou um programa de formação de 800 operadores de máquinas harvester e forwarder e de mecânicos para atuarem na colheita mecanizada de eucalipto. Com uma formação técnica de qualidade, mais pessoas podem ingressar na empresa para uma carreira que demanda conhecimento e na qual a Arauco continuará investindo para que todas alcancem a excelência operacional. Vale ressaltar que estes profissionais farão parte de um movimento crescente de contratações pela Companhia. Para se ter uma ideia, entre 2023 e 2025, foram contratados cerca de 1.500 novos talentos. Para este ano, a estimativa é a de contratar até 2 mil pessoas e, depois de 2027, alcançar 3 mil pessoas apenas nas operações florestais.
Tais exemplos mostram que, ao se instalarem em regiões com menor tradição industrial ou estejam avançando nesta direção, as empresas de base florestal deixam de ser meras empregadoras para exercer também papel relevante na formação profissional, estimulando a diversificação econômica, fortalecendo fornecedores locais e impulsionando melhorias na infraestrutura urbana e de serviços públicos.
Mesmo com os esforços, ainda é um desafio equilibrar oferta e demanda. E este cenário não é exclusivo do setor florestal. Dados da Confederação Nacional da Indústria – CNI, revelam que a falta de mão de obra qualificada é um problema para mais de 23% das indústrias brasileiras. E o índice não está numa curva ascendente. Pelo contrário: antes da pandemia, este percentual não chegava a 4%. Embora não haja dados exclusivos do setor florestal, a realidade ao recrutar colaboradores evidencia a necessidade de uma articulação ainda mais forte entre as empresas, o poder público e as instituições de ensino para que mais pessoas se beneficiem das oportunidades de trabalho e contribuam para o êxito dos negócios.
Dado este cenário, pergunto: "Imagine onde o Brasil poderá chegar se houver qualificação compatível com o potencial produtivo do País?" Certamente, há muita oportunidade que nós, executivos e lideranças, podemos desenvolver para transformar gargalos em oportunidades de desenvolvimento para todos.