O setor florestal brasileiro demanda cada vez mais mão de obra, principalmente devido ao forte crescimento da atividade. Os desafios aumentam porque esse não é um fenômeno exclusivo desse mercado, mas do agronegócio brasileiro como um todo.
Um grande exemplo desse cenário é o estado de Mato Grosso do Sul, que, sem dúvida, vive uma nova era de expansão econômica. O crescimento acelerado da silvicultura e do cultivo de eucalipto transformou a região em um dos principais polos internacionais de investimentos na cadeia da celulose. As estimativas mais recentes indicam que a indústria florestal deverá criar cerca de 24 mil novos empregos no estado até 2032.
No entanto, esse crescimento em larga escala trouxe um gargalo crítico para as operações e lideranças: atrair, qualificar e reter trabalhadores em uma geografia onde a competição por mão de obra qualificada atingiu novos patamares.
Em Mato Grosso do Sul e em diferentes regiões onde a Bracell atua, como São Paulo e Bahia, o crescimento das operações exigiu uma evolução consistente nas estratégias de desenvolvimento de pessoas. Cada território apresenta suas particularidades, mas todos compartilham um ponto em comum: o sucesso do negócio depende diretamente da capacidade de desenvolver talentos e gerar impacto social positivo.
Na Bahia, onde nossas operações estão consolidadas e há maior oferta de mão de obra, a estratégia é fortemente focada no desenvolvimento e retenção de talentos, além da formação de profissionais para futuras oportunidades em outras operações da Bracell no Brasil. Em São Paulo, o cenário é diferente. Ainda estamos em fase de crescimento de algumas operações, e a disponibilidade de mão de obra é limitada. Seguimos investindo na capacitação e no desenvolvimento de nossos talentos nas mais diversas áreas de atuação.
Mas é em Mato Grosso do Sul, onde atuamos como MS Florestal, empresa do grupo RGE, genuinamente sul-mato-grossense, com plantios de eucalipto em diferentes regiões do estado, que a necessidade de atração de talentos se mostra ainda mais relevante.
Com a consolidação da operação, que hoje abrange 13 municípios e polos localizados em Bataguassu e Água Clara, percebemos que nossa estratégia de aquisição de Talentos precisava evoluir, especialmente diante da forte concorrência e dos desafios logísticos da região.
A rápida expansão da silvicultura no chamado Vale da Celulose gerou uma elevada demanda por profissionais especializados, que o mercado local ainda encontra dificuldades para suprir. Isso exige das companhias uma atuação mais ampla em temas como educação, saúde, habitação e transporte, fundamentais para atrair e reter talentos, realidade já experimentada e amadurecida também nas operações da Bracell em São Paulo e na Bahia.
Para mitigar esse cenário, a companhia investe ativamente em programas de treinamento, parcerias com instituições de ensino e incentivo à formação local. Por meio dessas iniciativas e de políticas voltadas à atração e retenção de talentos, a empresa busca ampliar o número de profissionais qualificados, garantindo que estejam preparados para atender às demandas atuais e futuras do setor.
Nossa resposta aos desafios sempre foi estruturada na construção de uma Proposta de Valor ao Empregado (EVP) sólida e clara. Em apenas três anos de operação, escalamos nossas atividades diversas vezes, tornando o negócio cada vez mais sustentável. Crescemos de 600 para aproximadamente 3 mil trabalhadores na MS Florestal, sem considerar a força de trabalho terceirizada, essencial para a economia local.
Assumimos a posição de que o desenvolvimento comunitário é indissociável das operações florestais. Como resultado dessa estratégia, 80% da nossa força de trabalho é recrutada localmente, contribuindo diretamente para o fortalecimento da economia regional, onde escolhemos fincar raízes. Os outros 20% refletem o potencial de crescimento do estado, atraindo profissionais das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
Mas como enfrentar a escassez técnica e reduzir a rotatividade? A resposta passa por programas disruptivos de requalificação e aperfeiçoamento profissional. Uma das iniciativas adotadas é o treinamento remunerado. Em programas práticos e imersivos, como o de formação de Operadores de Colheita, o profissional ingressa como empregado em regime CLT, recebendo salário e benefícios desde o primeiro dia de treinamento.
Durante todo o processo, acompanhamos o desenvolvimento técnico e operacional até que o colaborador atinja a performance esperada de um operador experiente. Além disso, a retenção da força de trabalho que se deslocou para Mato Grosso do Sul exige uma forte estratégia de integração social.
Estamos desenvolvendo o programa pioneiro “Raízes do MS”, voltado à internalização e ao apoio estrutural para que o trabalhador e sua família possam se estabelecer com segurança e estabilidade na região. Outro destaque é o programa “Plantando Conhecimento”, que contribui para acelerar a trajetória profissional de nossos colaboradores, oferecendo turmas preparatórias para ensino fundamental e médio, possibilitando novos passos de carreira e o ingresso em universidades. E iniciativas como o projeto Jovens Talentos também merecem destaque, por qualificar jovens de 17 a 21 anos e prepará-los para funções como ajudante de viveiro e assistente administrativo.
Nossa parceria com o Sistema S, por meio do Senai, UFMS e UEMS, assim como com o Governo do Estado, também fortalece a capacitação da mão de obra local. Atualmente, essas parcerias proporcionaram um curso superior de Tecnologia em Silvicultura, o primeiro de ensino superior da cidade de Água Clara, voltado especificamente ao setor.
Além disso, implementamos um pacote robusto de benefícios corporativos, que vai além das práticas tradicionais de bem-estar, incluindo apoio ao cuidado com os filhos, remuneração variável e iniciativas voltadas à qualidade de vida. Em outras palavras, o agronegócio e o setor florestal precisam compreender que o pilar social, o “S” do compromisso ESG, não é um elemento secundário, mas um fator essencial para a sustentabilidade de longo prazo.
O longo ciclo do eucalipto, que pode durar até sete anos, proporciona segurança e previsibilidade no emprego. E, quando essa estabilidade é combinada com treinamento contínuo, desde o plantio até a operação de máquinas pesadas e drones de inteligência, criamos oportunidades reais de transformação social e profissional.
O talento existe. Mas ele exige investimento consistente, infraestrutura e senso de pertencimento. Ao integrar comunidades locais e valorizar pessoas, a MS Florestal, em conjunto com as operações da Bracell em São Paulo e na Bahia, vai além de solucionar um gargalo operacional: reafirma seu compromisso de ser referência em desenvolvimento sustentável, plantando dignidade para construir um projeto moderno, inclusivo e sustentável.