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Edimar de Melo Cardoso

Diretor Industrial da Aperam South America

AsCP26

Sustentabilidade é prosperidade
A indústria global vive uma transformação sem precedentes. Mais do que uma resposta aos eventos climáticos, essa mudança representa uma decisão estratégica de negócio. Empresas que não alinharem suas operações à conservação dos recursos naturais, à descarbonização e à geração de valor compartilhado tendem a perder não apenas competitividade, mas também sua licença social para operar.
 
Nesse cenário, sustentabilidade não pode ser tratada como discurso ou atributo reputacional. Ela precisa ser tangibilizada em decisões, processos, metas e resultados percebidos por todas as partes interessadas. Em um mundo em que as informações circulam de forma instantânea, compromissos corporativos só têm valor quando se convertem em realidade, sem margem para interpretações dúbias. Traduzir ambições globais e locais em resultados concretos deixou de ser uma escolha: tornou-se uma condição para a perenidade dos negócios.
 
A eficácia da sustentabilidade corporativa está na capacidade de medir processos, propor controles, promover melhorias e acelerar a inovação tecnológica. É indispensável quantificar o progresso para compartilhar, com transparência, metas e avanços com os stakeholders. Na Aperam, acreditamos no conceito de “inovabilidade”: a inovação a serviço da sustentabilidade. Por isso, estabelecemos metas ambiciosas de ESG e ODS, conectadas à Agenda 2030.

Nas operações no Brasil, nossos compromissos de descarbonização incluem a redução de 30% a 50% das emissões de CO? nos escopos 1 e 2 até 2030, a neutralidade global até 2050, a redução de 40% a 48% na captação de água e a elevação da reciclagem de resíduos industriais a patamares entre 97% e 100%. Esses indicadores são o termômetro de uma cultura que busca o equilíbrio entre uma empresa ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável.
 
O tripé da sustentabilidade, embora discutido há anos, nunca foi tão atual. A consciência sobre a conservação dos recursos naturais se fortalece, mas ainda enfrentamos o dualismo entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. O desafio é avançar para uma visão de convergência, na qual prosperidade e conservação caminhem juntas. Precisamos consolidar uma agenda única: a do desenvolvimento econômico sustentável.
 
A agroindústria florestal oferece exemplos consistentes desse caminho, ao unir conservação ambiental, parcerias comunitárias, geração de emprego e renda. Estudos demonstram que regiões com forte presença dessa atividade apresentam evolução superior no Índice de Desenvolvimento Humano em comparação a áreas sem a mesma base econômica. O uso do carvão vegetal, por exemplo, contribui para uma matriz produtiva de menor impacto, apoiada em florestas plantadas que capturam CO? e liberam O? na atmosfera, diferenciando-se radicalmente do uso de combustíveis fósseis.
 
Para transformar o propósito em prosperidade tangível, a estratégia de crescimento deve estar alicerçada na criatividade, no engajamento das pessoas e na união entre inovação tecnológica e sustentabilidade. Projetos de investimento em novas tecnologias não representam apenas eficiência operacional; são motores de uma nova economia circular. Ao substituir processos tradicionais por tecnologias de ponta nem sempre externas ou onerosas, otimizamos custos, ampliamos produtividade, fortalecemos a competitividade do Aço Verde Aperam e contribuímos para novos padrões globais de redução de emissões. Assim, demonstramos que alta performance industrial e preservação ambiental são plenamente compatíveis.

A prosperidade que buscamos é necessariamente compartilhada. Nossas operações não existem isoladamente: elas são motores de transformação social. Iniciativas de projetos sociais, qualificação profissional e fomento à mão de obra local mostram, na prática, como o desenvolvimento econômico pode transcender os muros da empresa e fortalecer toda a cadeia regional. Ser protagonista significa também ser agente de coesão, transformando desafios socioambientais em oportunidades de trabalho, renda e qualidade de vida para as comunidades que nos acolhem. Prosperar, para nós, é ter a certeza de que nossa presença gera um legado positivo, duradouro e capaz de contribuir para a melhoria dos indicadores sociais das regiões onde atuamos.

Contudo, sustentabilidade operacional só se sustenta quando está ancorada em governança sólida e transparente. Em um mercado global cada vez mais atento à integridade, o compromisso com certificações internacionais, como a ResponsibleSteel™, não é apenas um selo de conformidade, mas a materialização de uma postura ética. Transparência na gestão, no monitoramento de emissões, na conformidade trabalhista e no relacionamento com fornecedores é o alicerce que sustenta a confiança de acionistas, de clientes e da sociedade. Governança, para nós, é transformar regras e auditorias em cultura de conformidade, protegendo o negócio e garantindo a longevidade da marca em cenários de alta competitividade.

Também é fundamental que a comunicação seja clara, isenta e educativa, combatendo a desinformação que alimenta leituras simplistas e pensamentos dualistas. Lideranças, empresas, instituições de ensino e poder público devem assumir o papel de orientar a sociedade para compreender que a única via possível de prosperidade é aquela que alia conservação do planeta e desenvolvimento econômico. Não se trata de uma fórmula cartesiana, mas de um cenário complexo e em constante transformação, que exige lideranças estratégicas, adaptáveis e capazes de enxergar além de métricas isoladas.

Este é o caminho definitivo: ser força motriz de uma mudança que já está em curso, provando que desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental não são agendas opostas. São dimensões inseparáveis da prosperidade que queremos construir.