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Daniela Andrade Neves de Rezende

Especialista de Proteção Florestal da Duratex

Op-CP-61

Manejo de formigas cortadeiras
A evolução da produtividade florestal que ocorreu nas últimas décadas é fruto, principalmente, dos avanços do melhoramento genético e do manejo florestal. Considerando o aumento de produtividade alcançada e menores oportunidades de grandes ganhos em produtividade em sítios já conhecidos, os fatores redutores à produção, como a ocorrência de pragas e doenças, vêm ganhando cada vez mais importância no manejo de florestas. 
 
Dentro desse grupo de agentes que podem limitar a produtividade, as formigas cortadeiras ainda são consideradas as principais pragas de florestas plantadas no Brasil. De acordo com Della Lúcia (2011), somente as formigas cortadeiras são responsáveis por perdas de produtividade que variam em torno de 12% a 17%.

Em um trabalho realizado pelo Projeto Teths/Ipef (Tolerância de clones de Eucalyptus aos estresses hídricos, térmicos e bióticos, do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais), para avaliar perdas de produtividade de clones de eucalipto submetidos a sucessivas desfolhas artificiais, observou-se que, quando realizadas sucessivamente, prejudicam o crescimento, de forma intensa

e prolongada. Além da redução de produtividade causada diretamente pela desfolha, devido à menor atividade fotossintética, há ainda um alto impacto na homogeneidade dos plantios, principalmente em suas fases iniciais. Outro ponto importante é o custo envolvido na atividade de combate, que pode representar em torno de 13% dos custos de formação de florestas. 

Considerando esse cenário, é necessária uma atenção especial quando a assunto é formiga cortadeira, pois, apesar de ser uma praga muito estudada, e com manejos, produtos e metodologias de controle eficientes já consolidados, ainda temos oportunidades e desafios no seu controle.

As formigas cortadeiras, por serem insetos sociais nativos da América do Sul, se destacam pela organização de suas colônias, capacidade de cultivar o seu próprio alimento, ciclo de vida longo e alta capacidade de infestações anuais. Por isso, conhecer a biologia, o comportamento, a ecologia dessas espécies e adotar métodos adequados de controle e monitoramento refletirá na maior eficiência do controle e reduções de custos.

Apesar do conhecimento científico e prático acumulado ao longo dos anos, temos diversas questões que ainda não estão totalmente entendidas, como os efeitos das variáveis ambientais na atividade das formigas e os impactos no forrageamento das iscas formicidas.
O desafio de colocar em escalas operacionais todas as particularidades da praga e de fazer a gestão do manejo de formigas cortadeiras em custos viáveis dentro do manejo de florestas plantadas ainda é muito grande.

O que, inicialmente, parece ser simples e dominado requer atenção especial e acompanhamento constante. Tivemos muitos avanços no manejo da praga. Investimos em sistemas de monitoramento de formigas cortadeiras, gestão de informação e tecnologia de aplicação através de ferramentas de silvicultura de precisão para aplicação de iscas formicidas.

Porém, apesar de todos os avanços que ocorreram nas últimas décadas, ainda há poucas opções de produtos, formulações e ingredientes ativos que sejam eficientes e viáveis. Esse contexto ainda traz diversas implicações para o setor florestal, pois, além de aspectos operacionais, como a sazonalidade do controle de acordo com o clima, traz também aspectos regulatórios e setoriais, como as restrições de uso e dificuldades na importação e produção da sulfluramida, principal e mais eficiente ingrediente ativo usado no manejo das formigas cortadeiras, além de ser considerado o mais viável e seguro, tanto pelos aspectos ambientais como pelo baixo risco aos trabalhadores.

Quando falamos de florestas de eucalipto, a maior concentração dos controles de formigas cortadeiras é indicada no primeiro ano das florestas, para garantir a fase inicial livre da praga. Em florestas a partir de 1 ano, já começa ser viável a realização de monitoramento com recomendação de controle, que varia de acordo com a infestação e o nível de dano econômico aceitos em cada fase da floresta.

Dessa forma, é possível equilibrar o manejo da praga, levando em consideração aspectos técnicos, ambientais e econômicos. Na Duratex, o sistema de monitoramento de formigas cortadeiras tornou-se, ao longo dos últimos anos, uma ferramenta importante para auxiliar a gestão da silvicultura, permitindo o melhor planejamento e direcionamento dos recursos, a racionalização de iscas formicidas e o acompanhamento de indicadores no manejo da praga.

Foram desenvolvidos painéis informativos que são enviados mensalmente para os gestores operacionais de silvicultura, permitindo que o assunto seja mantido em discussões constantes e agilizando tomadas de decisão. Atualmente, é possível ter um bom diagnóstico da infestação de formigas cortadeiras nas florestas, gerando um acompanhamento muito próximo da eficiência de controle, com ações para qualquer eventualidade. 

Outra evolução importante nesse processo foi a adoção de sistemas de silvicultura de precisão, que traz maior garantia e qualidade da operação. Essa tecnologia permite o mapeamento da distribuição e da quantidade de isca formicida, além da localização e da estimativa do tamanho dos formigueiros presentes nas quadras.

Mesmo com a adoção de tecnologias de precisão, ainda há grande demanda e viabilidade do controle manual. Nesse caso, o acompanhamento constante e sistemático, em campo, dessas atividades é outra prática adotada pela empresa, que tem trazido retornos positivos em relação à eficiência de controle.

Qualquer desvio apontado em relação à atividade é tratado imediatamente em campo com a própria equipe de combate. Ao longo dos anos, diversas ferramentas foram adicionadas no manejo de formigas cortadeiras e permitiram o aumento na eficiência de controle e redução de custos.

Mas o fator de sucesso ainda está em se fazer simples e bem-feito: um bom planejamento de atividades, equipes bem treinadas e acompanhadas, produtos de qualidade e bons silvicultores preocupados com o manejo da floresta como um todo, focando na qualidade dos plantios e das operações, no menor custo possível.