Adriane Roglin

Coordenadora de Projetos da Consufor

Op-CP-54

Fertilizantes de liberação controlada
As florestas plantadas representam cerca de 7,8 milhões de hectares, compostas, em sua maioria, pelos gêneros Pinus e Eucalyptus, distribuídos de Norte a Sul do País e englobando diversas classes de solos e condições climáticas distintas. A variabilidade dessas condições edafoclimáticas é percebida claramente na produtividade dessas florestas plantadas ao final da rotação. Quando se trata de solos destinados à produção florestal, em sua maioria, eles são de baixa fertilidade natural, associados a condições de degradação intensa. Dessa forma, o manejo nutricional torna-se uma ferramenta indispensável ao silvicultor na condução de uma floresta de alta produtividade.
 
O manejo nutricional é de grande relevância em qualquer fase da floresta plantada. É uma parte essencial, mesmo antes da implantação. O monitoramento deve ser frequente, tanto do solo quanto da própria planta, a fim de equilibrar a quantidade de nutrientes em cada fase do desenvolvimento. 
 
A planta mostra sinais claros quando existe a deficiência nutricional em diferentes estágios de desenvolvimento, por exemplo, pela variação na coloração das folhas, pelo retardo no crescimento ou até mesmo pela alta taxa de mortalidade.
 
A atividade precursora no manejo nutricional para a implantação de uma floresta é a análise de solo, cuja função é a identificação da real necessidade quanto à reposição de nutrientes. Antes da implantação de uma floresta, o solo pode ter sido utilizado para fins pecuários, agrícolas ou até mesmo florestais; cada uma dessas atividades tem um processo operacional distinto, afetando, de maneira singular, a estrutura física e química do solo. Dessa forma, o resultado da análise de solo trará um direcionamento para o melhor manejo nutricional a ser executado na área.
 
Nesse contexto, a adubação na atividade florestal vem ganhando espaço e importância, principalmente no que tange à aplicação de novas tecnologias no campo, sempre buscando o equilíbrio entre custo, produtividade e sustentabilidade. Dessa forma, é possível realizar uma breve comparação entre dois tipos de adubação disponíveis no mercado: adubação convencional e adubação de liberação controlada.
 
A adubação convencional, amplamente conhecida e utilizada pela maioria das empresas do setor florestal, de maneira geral, apresenta uma rápida dissolução no solo. Essa adubação pode ser subdividida em duas fases: a primeira fase é conhecida como adubação de base, quando frequentemente é utilizada uma formulação de NPK com predomínio de Fósforo, aplicada somente na subsolagem ou subsolagem e pós-plantio. Na segunda fase, ou fase de adubação de cobertura, a aplicação pode ser parcelada em uma ou mais vezes entre o 2° e 24° mês, variando de acordo com a condição de solo e necessidade nutricional do gênero florestal, compostas por nitrogênio e/ou potássio, associada a um ou mais micronutrientes (exemplo: cálcio, boro e magnésio). 
 
No decorrer do desenvolvimento das florestas, necessidades nutricionais complementares podem ser identificadas mediante o monitoramento frequente dos plantios. Em geral, as perdas por lixiviação, imobilização ou volatilização podem ser consideradas altas para a adubação convencional, variando de 30% a 70%, de acordo com cada nutriente e condição de solos. A fim de compensar as perdas de cada nutriente, eventualmente, podem ser recomendadas dosagens até cinco vezes superiores à necessidade real das plantas. 
 
A outra forma de adubação é a de liberação controlada, uma tecnologia que vem sendo utilizada de forma gradativa pelas empresas do setor florestal. O uso em pequena escala ou em versões de testes tem por objetivo conhecer e entender o mecanismo de liberação dos nutrientes ao longo da rotação, assim como analisar o desenvolvimento das plantas e a resposta em relação à produtividade.
 
A disponibilidade desse tipo de fertilizante é na forma de cápsula, envolta por polímeros, películas ou resinas. Esse encapsulamento permite a liberação contínua e gradual dos nutrientes segundo as necessidades da planta, seguindo uma curva exponencial. Essa liberação pode variar de acordo com a especificação de cada produto e da interação da cápsula com a umidade e a temperatura do solo. Além disso, o encapsulamento visa proporcionar a redução das perdas de nutrientes para o meio via volatilização, lixiviação, erosão e imobilização, perdas essas que impossibilitam ou reduzem a absorção de determinado nutriente pelas plantas ao longo de seu desenvolvimento.
 
Em termos de dosagens, não existe um padrão, ou seja, pode variar de acordo com a região, material genético, condição de solo, clima e formulações disponíveis no mercado; de maneira geral, se encontram dosagens entre 500 e 900 kg/ha. O tempo médio de liberação dos nutrientes pode ocorrer entre 2 e 16 meses, entretanto a velocidade de liberação dos nutrientes pode variar com a espessura da camada da cápsula, associada às condições ambientais.

Vale ressaltar que a principal vantagem desse novo conceito para o setor florestal é a redução do número de aplicações em campo, porque as camadas são programadas para romper em um período mais prolongado, ou seja, no momento certo da deficiência nutricional, ao longo do desenvolvimento da planta (sem intervalos de deficiência e picos de oferta de nutrientes). 
 
Essa redução na frequência de aplicações e o ajuste na quantidade de adubo ao longo do processo de adubação, agregado ao constante monitoramento dos plantios, podem auxiliar na aplicação de uma quantidade ideal de produto. Adicionalmente, é valido destacar que o acompanhamento nutricional da parte aérea da planta, via análise foliar, é fundamental para verificar a quantidade de nutrientes absorvidos. Dessa forma, pode-se constatar se houve a disponibilização dos nutrientes do solo para a planta no momento adequado. 
 
Nesse contexto, em termos de desvantagens desse método de adubação, podemos citar uma eventual dosagem incorreta ocasionada por erros de análises de solo e/ou foliar, ou seja, qualquer ajuste de necessidades adicionais de nutrientes ao longo da rotação existente tornar-se-ia inviável pelo fato de o produtor não saber ao certo em qual estágio de liberação o produto se encontra. Dessa forma, esse complemento poderia ser feito, preferencialmente, no próximo ciclo de adubação, com o mesmo tipo de adubação, ou durante o mesmo ciclo, com a adubação convencional. Mas, mesmo assim, para efeitos de tomada de decisão, o que vai pesar serão os custos associados à operação. 
 
Em resultados preliminares do uso dessa tecnologia de adubação disponíveis no mercado atualmente, houve uma contribuição no aumento do sistema radicular, uma maior tolerância ao estresse hídrico, um melhor equilíbrio hormonal e nutricional, além de um potencial aumento da produtividade. No que tange aos custos de produção, pelo nível tecnológico e o tipo de material empregado, esse produto é mais caro em relação aos adubos convencionais. Ou seja, quando comparada à adubação convencional, a dosagem pode até ser menor ou igual, mas os custos associados à aquisição do produto e a aplicação são fatores primordiais na tomada de decisão.
 
Por fim, entende-se que ambos os formatos de adubação são bons e funcionam dentro de suas limitantes técnicas e operacionais. Contudo, antes de o silvicultor escolher a melhor opção para seu ativo florestal, é importante que seja realizada uma análise econômica de toda a operação, a fim de identificar qual a opção de adubação que melhor se adapta à sua realidade.