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Péricles Pereira Druck

Superintendente da Celulose Irani

Op-CP-02

Fibra curta e fibra longa vivem momentos diferentes

Atualmente, quando se ouve falar em celulose e papel, imediatamente se associa a celulose de fibra curta de eucalipto e a papéis para imprimir e escrever. As estatísticas e os noticiários são dominados pelo excelente desempenho e pela importância da fibra curta no cenário atual brasileiro. Nada mais justificável, uma vez que a celulose de eucalipto brasileira é a grande vedete do mercado mundial de celulose, onde ganha mercado rapidamente, substituindo outras fibras e superando outros países produtores.

Esta conquista de mercado dá-se, fundamentalmente, pelo baixo custo de produção  e excelente qualidade da fibra brasileira, criando um círculo virtuoso, onde o crescimento acentuado da produção, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, cada vez maiores, e os ganhos de escala e de tecnologia, vão realimentando o processo de aumento da competitividade.

As altas produtividades das florestas de eucalipto, o melhoramento genético destas florestas para qualidade de fibra e a homogeneidade do produto têm feito da celulose brasileira, realmente, um produto muito competitivo no cenário mundial. No caso da celulose de fibra longa, o momento é um pouco diferente. Em primeiro lugar, a própria demanda mundial  não cresceu tanto, em função da substituição de fibra longa, por fibra curta, para alguns usos,  do crescimento dos níveis de reciclagem e da tecnologia de reutilização destas fibras, entre outras razões.

Em segundo lugar, o comércio internacional de celulose e papel de fibra longa é relativamente pequeno, se comparado com a produção mundial dos mesmos produtos, caracterizando uma cadeia produtiva mais integrada e com mais empresas locais e regionais. Portanto, estes produtos não se beneficiaram tanto da onda exportadora, que vivemos nos últimos anos.

Mas, a matriz de competitividade não deixa de ser a mesma e, como muito já se tem dito, o Brasil tem características que lhe conferem um alto desempenho nestes mercados. A primeira delas  é o crescimento das florestas, que atingem níveis muito superiores aos do hemisfério norte, onde se  encontram os principais produtores mundiais.

A luminosidade elevada, um bom regime de chuvas e a disponibilidade de terras adequadas para o florestamento, fazem a base desta produtividade que, ao se juntar com o melhoramento genético e a boa gestão de manejo, fazem do Brasil um produtor bastante diferenciado. A disponibilidade de fontes de energia, seja hídrica, seja térmica, na base de biomassa, possibilitam custos baixos e retaguarda para o crescimento. O fator humano, os trabalhadores e as lideranças, também são um diferencial competitivo, seja pelo baixo custo, seja pela real dedicação e criatividade.

E, tão importante quanto isso, está o mercado consumidor brasileiro, que já não é pequeno e tem um potencial de crescimento  extraordinário, e a qualquer momento vai dar um grande salto. Por outro lado, temos nossas dificuldades. A maior delas é o juro elevado praticado no Brasil, o mais alto do mundo,  que para uma indústria de capital intensivo, traz custos adicionais e redução na velocidade de crescimento. Carrega também uma distorção no valor  relativo da nossa moeda, altamente apreciada em função do fluxo de capital especulativo que entra no país, em busca de juros altos, reduzindo a rentabilidade das exportações.

As poucas linhas de crédito de fomento, com juros mais adequados, não são acessadas pela maioria das empresas brasileiras. A carga tributária elevada  também cria dificuldades adicionais, quando comparamos com outros países, seja pela elevação dos custos, seja pelo estímulo a informalidade, que tanto desorganiza a competição e a competitividade das empresas nacionais.

Não poderia deixar de lembrar da propalada falta de infra-estrutura, estradas, portos, distribuição de energia, entre outras,  que  por elevação de custos e por estabelecimento de gargalos, em alguns momentos, tiram um pouco do brilho do Brasil, no cenário da competição mundial. O excesso de regulamentação, a burocracia do estado  e as exigências da legislação ambiental, cada vez maiores, acabam também dificultando e encarecendo ainda mais a atividade das empresas.

Em resumo: Na minha opinião, o Brasil e as empresas brasileiras podem ocupar um lugar privilegiado e destacado no cenário mundial de celulose e papel, tanto na fibra curta, quanto na fibra longa; seja com uma atuação global, seja com uma atuação regional. Basta que se explore os nossos diferencias competitivos e se supere as nossas dificuldades, tarefa que está unicamente em mãos brasileiras. Reduzir os juros e a carga tributária é um bom começo rumo ao crescimento sustentado.