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Paulo Ganem Souto

Governador do Estado da Bahia

Op-CP-02

A indústria de celulose e papel - presença na Bahia

A indústria de celulose e papel tem apresentado tendência de crescimento em todo o mundo, principalmente ao se considerar a incorporação da demanda crescente dos países em processo de desenvolvimento. Nos países mais desenvolvidos, tanto a produção, quanto o consumo de celulose, permaneceram praticamente estagnados.

Por isso, o aumento da produção mundial, verificado na última década, resultou, principalmente, da expansão de países como a China, a Indonésia, Finlândia e Brasil. A produção e o consumo de papel estão concentrados em apenas seis países: Estados Unidos, Japão, China, Canadá, Alemanha e Finlândia. O Brasil situa-se na 11ª posição no ranking dos países produtores de papel.

O consumo per capta de papel nos países desenvolvidos já atingiu elevados quantitativos (324 kg/habitante/ano nos Estados Unidos da América do Norte, 225 kg/ano no Canadá, etc.,) enquanto, no Brasil, o registro referente ao consumo per capita aponta para o volume de 40,1 kg/ano, marco que, embora ainda muito baixo em termos comparativos, já começa a demonstrar forte tendência para o crescimento.

É importante lembrar que o consumo de papel está diretamente ligado ao desenvolvimento sócio-econômico do país. Neste aspecto, a elevação da renda e do nível de escolaridade constitui-se em fator determinante para o crescimento do consumo de papel. Em termos nacionais, a indústria de celulose e papel envolve cerca de 220 empresas, que são responsáveis por mais de 100 mil empregos, movimenta cerca de 1,4 milhões de hectares de florestas plantadas, produzindo 8 milhões de toneladas de celulose e 7,8 milhões de toneladas de papel.

No período compreendido entre 1989 e 2002, foram investidos cerca de US$14 bilhões. Até o ano de 2012, os novos investimentos deverão atingir US$14,4 bilhões. A Bahia atualmente lidera os investimentos privados no setor de C & P, com aproximadamente US$ 3,1 bilhões, em três grandes projetos, os quais determinarão um crescimento da produção da ordem de 2,9 bilhões de toneladas/ano.

Assim, a Bahia, que até o ano de 2004, ocupava o 6º lugar no quadro da produção nacional de celulose e papel, com a implantação dos novos projetos acima referidos deverá situar-se, provavelmente, na 4ª posição, entre os estados brasileiros produtores de celulose. A pioneira na produção de celulose, a partir da madeira, foi a Bahia Sul Celulose (Grupo Suzano), instalada no município de Mucuri, extremo sul do estado. A empresa gera, atualmente, cerca de 1.200 empregos diretos.

Com o novo investimento de US$ 1,3 bilhão, passará a produzir 2,35 milhões de toneladas/ano, com um acréscimo de cerca de 1.000 novos postos de trabalho. A Veracel (Aracruz e Stora Enso), no município de Eunápolis, cuja unidade industrial foi inaugurada no último mês de setembro, investiu, aproximadamente, US$ 1,25 bilhão, proporcionando a criação de 3 mil novos empregos diretos.

O terceiro empreendimento do setor com novo projeto é o da Bahia Pulp, do grupo asiático RGM International, que contará com investimento de US$ 500 milhões e deverá gerar 500 novos postos de trabalho, no município de Camaçari. Mas não foi por simples acaso que a Bahia passou a sediar esses empreendimentos industriais produtores de celulose e papel.

O estado oferece condições bastante propícias para a produção de celulose, a partir de florestas plantadas de elevada produtividade, notadamente pelas condições edafo-climáticas, que permitem a obtenção de rendimento da ordem de 50 m3/há, contra 30 m3/ha, obtidos em plantios de outros estados. Na Bahia, a produção de celulose, a partir de fibras curtas, conduz a uma produção de papel de impressão de qualidade superior e com boa aceitação no mercado mundial, o que, ao lado da produção de celulose solúvel, aumenta a oferta de “celulose de mercado”, ou seja, aquela parcela não utilizada pelas próprias empresas, assegurando uma crescente participação desse produto, no total das exportações baianas.

A participação desse setor no PIB nacional é da ordem de 1,2%, enquanto na indústria de transformação é de 3,2 %, e de 3,5% das exportações nacionais. Na Bahia, a produção setorial corresponde a 0,8% do PIB, 2,6 % da produção industrial e 2,6 % das exportações. É importante ressaltar que os efeitos positivos das unidades produtoras de celulose e papel na Bahia não se restringem aos quantitativos de produção e faturamento e mesmo de empregos diretos gerados, mas também ao aporte tecnológico na produção agrícola, com o domínio de técnicas modernas de manejo da madeira, do Pinus e do Eucalipto.

Praticamente todos os aspectos relacionados com a melhoria da qualidade de vida no município que sedia a unidade industrial são beneficiados pelos novos investimentos. O futuro da indústria de celulose e papel na Bahia é, portanto, muito promissor face às condições de competitividade das florestas plantadas no Estado e ao domínio no manejo dessas florestas, sendo, não menos importante, o fato de que a renda do Estado está crescendo, o que assegura uma demanda também crescente de papel de escrita e embalagens.

A manutenção dos custos de produção, em níveis competitivos, a partir da elevada competitividade das florestas, a oferta e manutenção de uma logística de transportes, para a distribuição dos produtos, reduzindo o custo total da distribuição, formam um elenco de desafios a serem enfrentados e vencidos pelos produtores e pelo Estado, numa parceria saudável.