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Luiz Fernando Schettino

Subsecretário da Coordenação das Unidades de Pesquisas do Ministério da Ciência e Tecnologia

Op-CP-07

Manejo florestal: sustentabilidade e benefícios socioeconômicos

As florestas sempre tiveram elevada importância para a humanidade, e terão mais ainda para as futuras gerações, tanto em termos ecológico e social, quanto econômico, pois os recursos florestais naturais abrigam enorme biodiversidade, seus derivados sustentam indústrias farmacêuticas, de recreação e turismo e contribuem para melhorar o meio ambiente mundial, através do seqüestro de CO2, além de manter outros recursos naturais.

Com a tomada de consciência ambiental em escala planetária, começa-se, também, a haver mudança de mentalidade acerca das florestas naturais e plantadas, pelos bens e serviços que fornecem à sociedade, tais como: produção de água, regularização de vazão, controle de cheias, prevenção de erosão, conservação de solo, proteção da biodiversidade, proteção das belezas paisagísticas e diminuição dos impactos da poluição sobre o clima e a produção agrícola.

Percebeu-se também que as florestas podem contribuir muito além da proteção ambiental: nos aspectos sociais e econômicos, via salários, empregos, rendas, impostos, agregação de valores e formação de divisas, e gerando efeitos multiplicadores, em vários setores da economia. Em função dessa nova visão de valores, a sociedade vem exigindo que cada vez mais seja feita a utilização das florestas, com base no vasto conhecimento técnico-científico existente, via manejo sustentável e disciplinada por medidas legais, que possam permitir um modo sustentável das ações, o que garantirá suas perpetuidades.

Pois, com mecanismos institucionais e legais, adequados e bem definidos, podem existir ações fiscalizadoras mais eficientes, quando da utilização socioeconômica das mesmas, levando mais sustentabilidade às atividades executadas. Devendo, inclusive, esses controles serem estendidos  até a obtenção de financiamentos para empreendimentos florestais, para reforçar as exigências que já têm sido feitas aos projetos de uso das florestas naturais ou em programas de reflorestamento, no ato do licenciamento ambiental.

O que pode permitir ao Brasil ter mais possibilidades de acesso ao mercado mundial de madeiras, pela adoção, em larga escala, da prática do manejo florestal sustentável. Visto que, através do manejo de florestas naturais, principalmente na região amazônica, pode, de forma sustentável, ter uma alternativa, viável e de grande resultado socioeconômico, para o abastecimento dos mercados interno e externo de produtos florestais e livre das pressões internacionais contra o consumo de madeiras não provenientes de produções sustentáveis - maior parte ainda da produção madeireira nacional.

Mercado este que tem buscado a substituição de madeiras tropicais por coníferas e folhosas de clima temperado, mas, que encontra, nessa tentativa, também, muitas restrições ambientais. É importante entender que a utilização florestal, via manejo sustentável, significa adequar harmoniosamente: taxas de lucro, manutenção da biodiversidade, modos de se extrair a madeira, detalhes como a direção de queda das árvores, níveis de colheita e  estoque florestal remanescente, de modo a se  obter o máximo de benefícios de uma floresta, mas mantendo as suas condições de sustentabilidade.

Por isso, a colheita florestal deverá ser cuidadosamente planejada, de modo a minimizar os danos às árvores, que constituirão a próxima colheita, bem como as árvores porta-sementes. Com a elaboração de um plano de manejo florestal sustentável, com certeza, pode-se obter produção de madeiras e  também de produtos não madeireiros de forma duradoura, mantendo os serviços ambientais dos ecossistemas florestais e permitindo a fixação das pessoas nas regiões em que vivem, pela geração de empregos e rendas, contribuindo, inclusive, para diminuição das migrações para os grandes centros urbanos, o que pode contribuir muito para a diminuição de problemas sociais, como a violência nesses locais.

O manejo sustentável, porém, tem um custo maior que a tradicional exploração das matas, na qual se utiliza a derrubada total das árvores e o atear fogo, destruindo a biodiversidade e causando a maior parte das emissões brasileiras de gases do efeito estufa. Daí o baixo custo, pelo modo predatório desse processo de obtenção de madeiras. Por isto, se não houver uma decisão política de fiscalizar os desmatamentos e de só liberar para expansão da fronteira agrícola as áreas de fato necessárias, a madeira proveniente de locais manejados tem uma competição desleal no mercado, pelos seus custos adicionais - técnicos e legais.

Uma das razões do percentual de madeira oriunda de locais manejados ser pequeno no mercado madeireiro. O que pode mudar com campanhas educativas ao público consumidor, educação ambiental, fiscalização mais rigorosa e incentivos para a prática do manejo sustentável, em florestas naturais. Governo e sociedade, no Brasil, que querem o crescimento da economia em ritmo mais acelerado, podem ter na utilização de áreas florestais, via manejo sustentável, um bom aliado para criar mais oportunidades de trabalho e rendas, principalmente na região Amazônica.

O que também pode ser feito com a participação das comunidades locais, e vir a assegurar maior participação do país no abastecimento do ávido mercado nacional e internacional de madeiras, que a cada dia torna-se mais exigente quanto à responsabilidade socioambiental. Nosso país já tem gerado muitos benefícios socioeconômicos e ambientais em varias regiões, através da eficiência tecnológica e por possuir uma das maiores áreas de plantios florestais do mundo. Pode, nesses tempos de aquecimento global, através do manejo florestal sustentável, vir a ter, também, além do aumento da produção madeireira, agregação de valores, diminuição de emissões de queimadas, mais proteção aos ecossistemas florestais, inclusão social, geração de riquezas e empregos.