Caio Eduardo Zanardo

Diretor Florestal da Fibria

Op-CP-53

Smart cities, por que não smart forests?
As florestas plantadas e manejadas de forma correta e sustentável são o ponto de partida na cadeia produtiva da Fibria. A madeira fornece a matéria-prima para a produção de celulose, energia elétrica e, cada vez mais, os insumos para o desenvolvimento de novos produtos e aplicações. 
 
Produzir mudas de eucalipto, plantar e cuidar dessas árvores, colher e transportar madeira são operações repetidas milhares de vezes, todos os dias, nas nossas áreas florestais em 261 municípios brasileiros, localizados nos estados do Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. 
 
No total, a companhia possui 1,092 milhão de hectares de florestas, sendo 656 mil de florestas plantadas, 374 mil de áreas de preservação e de conservação ambiental e 61 mil destinados a outros usos, como estradas. Nessas operações, a Fibria alia as técnicas do manejo florestal moderno a uma constante disposição para inovar na gestão, nos processos e na tecnologia.
 
Segundo o estudo “Visão 2030 – O futuro da agricultura Brasileira”, produzido pela Embrapa e lançado neste ano, algumas megatendências mundiais possuem elevada probabilidade de impacto no ambiente florestal. Entre eles, estão as mudanças demográficas (como a urbanização), as mudanças climáticas, a escassez de recursos e a eficiência energética, que podem ser mitigados ou otimizados com o uso de novas tecnologias, seja na gestão dos ativos florestais (terra, floresta e máquinas), seja na gestão de insumos e/ou na gestão comportamental (pessoas, segurança e produtividade).
 
Em 2015, a Fibria iniciou um diagnóstico das iniciativas de digitalização da floresta a partir do qual estruturou a gestão de projetos na área. Liderada pela área Florestal, foi criada uma arquitetura de coleta, comunicação, análise e disponibilização de dados em que todas as ações de novas tecnologias são centralizadas no Projeto Floresta Inteligente. O conceito de Indústria 4.0 foi aplicado na floresta com a utilização de tecnologias de Big Data/Analytics, internet das coisas e inteligência artificial na floresta plantada. Essas tecnologias utilizadas no dia a dia e aplicadas ao campo melhoram a disponibilidade de dados para tomada de decisão, trazem ganhos à produtividade, à segurança e ao desenvolvimento dos empregados.
 
São quatro frentes de implementação de novas tecnologias: plantio (silvicultura), colheita, logística de madeira e análise sistêmica de dados. Mais de 50 projetos já foram implantados, e os resultados podem ser aferidos em diversos deles. Entre eles, destaco:
 
Caminhões com telemetria: 
A área de Logística Florestal da Fibria atingiu, nos últimos cinco anos, redução de 43% na taxa de acidentes com afastamento e 60% na taxa de acidentes com e sem afastamento. As principais causas dessa redução são o treinamento de motoristas e o uso de tecnologia de precisão no acompanhamento das operações.

Em 2016, foi atingida a marca de 100% da frota com telemetria. Para melhorar o trânsito na fábrica, a Fibria criou um sistema automatizado de entrada de caminhões na unidade de Três Lagoas (MS). Semelhante a um sistema de pedágio de cobrança automática, a tecnologia garante que a unidade receba e rastreie um caminhão de madeira a cada três minutos, sem filas ou engarrafamentos.
 
Torres de videomonitoramento de incêndios: 
A Fibria possui mais de um milhão de hectares de florestas em sete estados brasileiros, entre florestas plantadas e áreas de conservação ambiental (matas nativas). O fogo é um risco sempre ameaçador para a floresta, para as pessoas e para a biodiversidade.

Para reduzir o tempo de resposta aos alarmes de fogo, foram instaladas torres equipadas com câmeras de vídeo para detecção de focos de incêndio. Até 2017, 50 torres foram instaladas nas unidades de Três Lagoas (MS) e Aracruz (ES), com alcance de até 20 km. A Fibria adota uma política de prevenção de incêndios florestais que dá grande ênfase à conscientização de vizinhos, parceiros, terceirizados e participantes de nossos programas sociais. 
 
A prevenção, no entanto, não afasta todos os riscos. Por isso, a Fibria mantém em suas áreas de cultivo equipes de brigadistas preparadas, que dependem de um rápido alerta para conseguirem combater os focos ainda em seu estágio inicial. As câmeras em torres são uma ferramenta valiosa nesse combate. Em 2017, a área total atingida por incêndio florestal caiu 46% em relação a 2016. Em relação a 2015, a queda foi de 94%. 
 
Viveiro automatizado: 
O primeiro viveiro automatizado de mudas de eucalipto do mundo foi construído pela Fibria na Unidade de Três Lagoas (MS). Ocupa uma área de 48 mil m2 e tem capacidade para produzir 43 milhões de mudas de eucalipto por ano. Operando como uma espécie de “fábrica de mudas”, o viveiro conta com 24 robôs que realizam a seleção, plantio, diagnóstico das mudas e até o embarque automático para o transporte, tudo com base em inteligência artificial. A tecnologia foi importada da Holanda, onde já é usada para o plantio automatizado de mudas de flores. Esse modelo permitirá à Fibria ter uma produtividade três vezes maior do que um viveiro tradicional.
 
A qualidade das mudas produzidas pelo processo automatizado é melhor que o tradicional, com um custo de produção cerca de 25% menor. Além disso, o viveiro automatizado incorpora conceitos de sustentabilidade na sua operação: os tubetes em que são plantadas as mudas são de papel biodegradável e não mais de plástico, o que gera redução de resíduos, menor consumo de água e menor impacto ambiental, além da redução de riscos fitopatológicos.
 
Tecnologia LiDAR:  
É uma tecnologia inovadora em medição de áreas, relevo e árvores para inventário. Faz o censo da floresta por meio da captura de dados por sensor laser, que depois são analisados por software especializado. Esse projeto, iniciado em 2011 na unidade Florestal de São Paulo, com o objetivo de melhoria na precisão da medição das áreas e caracterização do relevo, foi indispensável na implantação da colheita mecanizada em áreas com inclinação até 33º, com dados de relevo embarcado, por meio de mapas digitalizados, para maior segurança nas máquinas de colheita. A Fibria reduziu em 12% o custo de monitoramento e atualização de áreas, além de viabilizar inúmeros projetos de modernização que resultaram no aumento de 1,2% de nossa área plantada.
 
O mundo segue a sua evolução, tais tecnologias estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Saber utilizá-las de maneira a extrair os melhores resultados é o nosso maior desafio, e temos muito ainda a fazer, mas, conhecendo a competência brasileira no setor florestal, chegaremos lá.