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Pedro de Toledo Piza

Consultor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Pöyry Tecnologia

Op-CP-21

Crescer com sustentabilidade

Quando se fala em sustentabilidade, alguns ainda pensam apenas em sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica, em que o aspecto ambiental é a possibilidade de mitigação dos impactos ambientais, e a viabilidade econômica está representada por ganhos econômicos de TIR vantajosa, recuperação tributária, rápido pay back, etc.

Em artigo já publicado nesta revista, utilizamos a definição de sustentabilidade do Dicionário Aurélio: sustentar é: “1. Segurar para que não caia, suster, suportar. (...) 8. Impedir a ruína ou queda de. (...) 11. Defender com argumentos ou razões (...)”. A discussão inicial do conceito da sustentabilidade baseou-se nos pilares econômico, social e ambiental, oriunda de lenta evolução para escapar do antigo sistema “comando e controle” da legislação, e, assim, incorporou a variável econômica e social.

Foram, então, adotadas boas práticas ambientais no setor industrial, reciclagem e reuso, reaproveitamento e redução, utilização de fontes renováveis, utilização de instrumentos contábeis para valorar investimentos ambientais etc. Todavia, isso não foi o suficiente para acompanhar a evolução, e, por questões econômicas e de sobrevivência das empresas, o discurso mudou.

O conceito de sustentabilidade pautou-se (por enquanto) em cinco pilares: econômico, social, ambiental, cultural e espiritual, estes dois últimos ultrapassam o conceito anterior. O conceito atual de sustentabilidade fundamenta-se na aceitação cultural e na compreensão espiritual das populações afetadas pelos novos empreendimentos. Ora, projetos de celulose e papel em novas fronteiras, como exemplo Tocantins, Maranhão, Piauí, demandam novos modelos de licenciamento [socio]ambiental dos greenfields.

Esses empreendimentos são suficientes para impactar modos de vida de comunidades, suas manifestações culturais, raízes culturais e religiosas, comportamentos sociais, morais e éticos. A aceitação cultural reflete-se na necessidade de atender e executar profundos estudos antropológicos, tais como inventários e registros de manifestações culturais, estudos e trabalhos de campo para compreensão de festejos religiosos, formas de organização social, formas de expressão e até crenças religiosas.

A questão espiritual não diz respeito, em nossa singela definição, ao aspecto meramente religioso, mas sim emocional, de entendimento das demandas e expectativas reais de uma comunidade face ao projeto a ser implantado. Ora, há diferentes visões sobre a sustentabilidade, mas todas revelam uma nota distintiva da História e de evolução das civilizações, desde as otimistas visões unitárias até interpretações pessimistas que lhe negam qualquer linha de continuidade.

Mais perto de uma solução razoável nos parecem os pensadores que falam em corsi e ricorsi (idas e vindas) da História, como o fez Giambattista Vico, o que corresponde às surgências e insurgências lembradas por Gilberto Freyre; ou, então, sob outro prisma, aqueles que se referem à astúcia da razão na História, à moda de Hegel, ou, então, aos fatores da sorte ou fortuna, como pensava Nicolò Machiavelli, ponto de vista em parte coincidente com a ideia do acaso no pensamento de Jacques Monod.

A nosso ver, a sustentabilidade é cada vez mais compreendida como pressuposto de crescimento econômico, tornando possível e factível a produção sustentável de celulose e papel: a atuação ecoeficiente de recursos hídricos, energia por fontes renováveis, taxas sustentáveis de efetivo plantio conservando e recuperando ecossistemas sensíveis, programas sociais de alto nível para qualificação e aprimoramento de mão de obra, inclusão social, entre outras ações.

As novas oportunidades se baseiam na busca por cadeias produtivas certificadas, estímulo à responsabilidade pós-consumo, inventários de gases de efeito estufa, adoção de planos de gestão de carbono. A sustentabilidade está além da conformidade legal. Ter postura pró-ativa permite a relação direta de sustentabilidade e lucros econômicos; o engajamento cria parcerias e institui novo paradigma.

Os novos greenfields de celulose e papel estão atendendo às expectativas desses desafios e cultivando parceiros na sociedade e perante órgãos de governo. Os futuros greenfields deverão repousar seu olhar no caminho da preservação cultural e entendimento dos valores locais.