Pedro Jacob Christoffoleti

Professor de Biologia e Manejo de Plantas Daninhas da Esalq/USP e Pesquisador da Agrocon Assessoria Agronômica

Op-CP-59

Controle de plantas daninhas
Dentre os fatores redutores de produtividade na silvicultura, destaca-se a interferência causada pela infestação de populações de plantas daninhas durante o estabelecimento da floresta implantada. Assim, para que a atividade de produção de madeira seja economicamente viável, é indispensável o manejo adequado das populações de plantas daninhas, que competem com os fatores essenciais de crescimento.

Para isso, é necessário estabelecer um programa de campo, integrando todas as etapas do processo produtivo, onde a aplicação de herbicidas é, sem dúvida, uma das ferramentas utilizadas para esse fim, porém não única. Sendo assim, neste artigo, exponho minha opinião sobre as principais inovações e tendências do setor, relacionada aos herbicidas e suas formas de utilização na silvicultura, notadamente na cultura de eucalipto.
 
Segundo o site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (http://agrofit.agricultura.gov.br, em consulta aberta), para a cultura de eucalipto, estão registrados 28 ingredientes ativos herbicidas para uso no Brasil. A seguir, são listados os principais ingredientes ativos, agrupados por mecanismo de ação na planta e pela letra correspondente do HRAC (Herbicide Resistance Action Committee):
 
Grupo G: inibidores da síntese de aminoácidos aromáticos – glifosato
Grupo E: inibidores da síntese da clorofila – carfentrazone-etil, sulfentrazone, flumioxazin, oxifluorfem e saflufenacil
Grupo F: inibidores da síntese de carotenoides – isoxaflutole e clomazone
Grupo C: inibidores do fotossistema II – diuron (associado com o sulfentrazone)
Grupo L: inibidores da síntese de celulose – indaziflam
Grupo A: inibidores da síntese de ácidos graxos – fluazifop-p-butil, cletodim e haloxifop
Grupo K: inibidores do crescimento inicial das plantas – trifluralina, s-metolachlor
Grupo H: Inibidores do metabolismo do nitrogênio – glufosinato de amônio
Grupo B: inibidores da síntese de aminoácidos de cadeia lateral – chlorimuron-etil, imazapir.

É importante destacar que o uso de qualquer defensivo agrícola está associado ao seu registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Para a aquisição de qualquer defensivo agrícola, deve-se fazer uma avaliação correta do problema e da necessidade da aplicação. A compra do defensivo agrícola só deverá ser realizada mediante receituário agronômico, assinado por um técnico responsável. As eventuais informações contidas nessa publicação, sobre herbicidas para o controle de capim-camalote na cultura da cana-de-açúcar que não estão registrados no MAPA, são provenientes da literatura científica e visam discutir aspectos de manejo da planta daninha e não recomendar como forma de controle.
 
Essa gama de produtos, na minha opinião, pode, com certeza, atender às necessidades de manejo das plantas daninhas nas áreas de florestas implantadas. No entanto o sucesso no uso dessa ferramenta está fundamentado na escolha correta do produto, através de pessoas capacitadas, envolvidas desde a recomendação até o acompanhamento dos resultados, devidamente orientadas pelos gestores de como fazer corretamente, fazendo o produto chegar no alvo, proporcionando cobertura e absorção do herbicida de forma adequada, com equipamento devidamente regulado e em ótimas condições de trabalho.
 
Algumas inovações têm ocorrido nos herbicidas, que são usados nas diversas etapas de condução da cultura. Elas iniciam na dessecação para preparo da área para o plantio. Das 75 marcas comerciais de glifosato registradas no MAPA, novas formulações estão sendo desenvolvidas, visando tanto ao aspecto dos diferentes sais de glifosato quanto às adjuvantes que compõem essas formulações, visando à rapidez de absorção do produto e à eficácia de controle em plantas submetidas a estresse. Há formulações que procuram associar glifosato com outros herbicidas, tendo como objetivo o controle de plantas daninhas de difícil controle pelo glifosato, bem como o sinergismo entre moléculas.
 
Após uma boa dessecação da vegetação espontânea, vem a fase de implantação da cultura, onde as inovações estão pautadas na procura de herbicidas residuais de amplo espectro, principalmente residual suficiente para reduzir ao mínimo possível as reentradas na linha de plantio. Para isso, novas formulações e associações de herbicidas estão sendo recomendadas, notadamente com os herbicidas isoxaflutole, indaziflam, sulfentrazone, diuron e flumioxazin. Dois pontos fundamentais para o sucesso do herbicida pré-emergente nessa etapa é a escolha da dose, que deve estar alinhada com a bula, a seletividade dos herbicidas, diferencial aos materiais genéticos diversos utilizados.
 
Geralmente, o herbicida aplicado no transplante da muda de eucalipto não tem residual suficiente, até o “fechamento” da cultura. Assim, é prática usual a replicação na linha, que popularmente é conhecida como prática de “remonta”.  Nessa prática, a procura é por herbicidas que sejam seletivos, sem afetar o crescimento e o desenvolvimento do eucalipto, gerando controle de amplo espectro, e que tenha alguma ação de pós-emergência inicial da planta daninha. 
 
Na entrelinha, geralmente, é feito tratamento com herbicidas de ação pós-emergente, mantendo, assim, uma cobertura, o que está de acordo com práticas conservacionistas de solo. No entanto, as inovações nessa prática estão centradas na busca de associações de herbicidas que reduzam o número de aplicações e, consequentemente, entradas na área e menor custo. Assim, da mesma forma que na dessecação, a busca de tratamentos sinérgicos com o glifosato e que proporcione ao mesmo tempo residual é importante. 
 
Também herbicidas alternativos ao glifosato são buscados para o controle de plantas resistentes e de difícil controle pelo glifosato. Em qualquer uma das etapas do manejo, o equipamento de aplicação do herbicida tem papel fundamental para a colocação correta do produto no alvo. As tendências são de que o setor florestal busque cada vez mais equipamentos tratorizados, e até aéreos, como drones, que já têm se mostrado viáveis, técnica e economicamente.
 
A escolha de pontas de pulverização adequada para cada tipo de aplicação é uma tendência, proporcionando um padrão de pulverização para cada tipo de produto (contato x translocação x pré-emergente), assim como a escolha de adjuvantes ativadores de superfície foliar, ou condicionantes de caldas que auxiliem na eficácia e na seletividade de herbicida.
 
Conciliar as necessidades específicas de manejo de plantas daninhas de cada área específica com as tecnologias disponíveis, a um custo compatível, sem gerar impactos ambientais, é o objetivo do silvicultor na produção do eucalipto. Porém, para isso, é necessário que o recomendante do herbicida esteja ligado nas principais inovações do setor, nunca se esquecendo de que manejar plantas daninhas não é apenas feito com a aplicação dos herbicidas, mas também com uma boa prática agrícola de implantação da cultura. No entanto o herbicida é uma ferramenta muito importante, e seu uso exige conhecimentos técnicos das inovações, sempre na busca de um aperfeiçoamento e de uma redução dos impactos negativos que as plantas daninhas causam para a cultura.