Aldo De Cresci Neto

Secretário Executivo da Frente Parlamentar de Silvicultura

Op-CP-55

Cavaco de madeira como fonte energética
A geração de energia termelétrica  que utiliza cavaco de madeira é um dos instrumentos fundamentais para a sustentabilidade do nosso território nacional e consequente estabilidade do sistema energético, hoje dependente, em grande parte, de fontes instáveis e não renováveis.  
 
O eucalipto se mostra viável no caso de plantios dedicados apenas para a geração de energia a cavaco de madeira ou mesmo equilíbrio de estratégia de plantio, visando atingir não somente esse mercado como outros consumidores da mesma espécie (por exemplo, a indústria da celulose).
 
O pínus apresenta atratividade distinta, pois apenas a madeira fina como fonte de matéria-prima tem se mostrado economicamente interessante.  Mesmo assim, há o desafio na otimização do custo para a transformação no cavaco. O manejo de floresta nativa para transformação da árvore em cavaco é um desafio possível. Mas, por força de especificidades do sistema energético brasileiro e a localização das florestas nativas, essa é uma atividade que merece melhor análise técnica e um artigo específico para tanto.  
 
Portanto, para efeito do presente artigo, haverá foco apenas na geração de energia proveniente do cavaco de madeira do eucalipto. Para todas as hipóteses, o respeito às leis é mandatório, e a certificação é sempre recomendável. Para o silvicultor, a geração de energia por cavaco de madeira é extremamente eficiente, pois o custo com logística é mínimo. Aqui está o ponto nevrálgico do tema.
 
Pela perspectiva do agricultor, a floresta é uma complementação de sua renda, sem competir com sua atividade fim. Além disso, a floresta serve como equilíbrio financeiro quando se verificam perdas ou ineficiência na colheita, geradas pela mudança climática ou mesmo otimização do uso do solo em locais de baixa produtividade.
 
A indústria voltada para equipamentos que geram energia e operam termelétricas a cavaco de madeira será também beneficiada, com expressiva geração de receita, uma vez a constante instalação e operação da mesma. A geração de emprego será natural. Para o órgão responsável pelo planejamento e desenvolvimento do sistema energético brasileiro, a fonte aqui referida é totalmente confiável e condensa qualidades técnicas e sustentáveis. Todas irrefutáveis. Trata-se de energia renovável, que fixa o homem no campo e não depende de fatores externos para gerar energia de forma contínua e constante.
 
O plantio de árvore fixa carbono na natureza durante sua fase de plantio, e trata-se de atividade que gera energia de forma contínua e sem intermitência. A análise econômica é igualmente favorável, seja para o silvicultor ou para o País.  Não há exposição cambial na matéria-prima, ou mesmo no setor industrial, e seu custo é reduzido se comparado com outras fontes energéticas. Ou seja, favorece a balança comercial e gera lucro ao produtor rural.
 
Sustentabilidade e economia são certeza, desde que desenvolvidas de forma pragmática.  O Prêmio Nobel de Economia de 2018 corroborou esse entendimento na escolha do trabalho dos economistas americanos William Nordhaus e Paul Romer, por integrar a mudança climática e a inovação tecnológica no crescimento econômico.
 
O Plano Decenal de Expansão de Energia brasileiro foi taxativo na priorização de fontes de energia renováveis, com o crescimento econômico apoiado em matrizes limpas, conforme a Política Nacional sobre Mudanças do Clima. A meta é que o Brasil venha a ter 48% de sua geração de energia em fontes renováveis até a próxima década.
 
Ocorre que, para essa fonte energética ser uma realidade, há necessidade de mudanças relevantes por parte dos órgãos competentes. O mercado regulado se mostra atratativo, desde que sejam ofertadas garantias de consumo de energia expressiva (pelo menos setenta por cento de sua capacidade instalada) para cada unidade termelétrica instalada.  Ou seja, geração de energia na “base do sistema”, e não por disponibilidade.
 
Os leilões precisam ser adequados aos silvicultores no que se referem a preço, prazo e concorrentes, levando-se em conta o tempo de colheita e os custos dessa atividade.  Relembrando que os custos da silvicultura são extremamente competitivos, se comparados com outras fontes renováveis e, principalmente, não dependem de subsídios internos ou externos, inexistindo exposição cambial.
 
O Brasil tem aproximadamente 9 milhões de hectares plantados de árvores, e esse setor econômico movimenta  R$ 19  bilhões anuais.  Essa fonte energética irá representar um aumento significativo de plantio de árvores, maior geração de receita e demanda de mão de obra rural.  Além disso, haverá natural equilíbrio financeiro aos silvicultores, que enfrentam a queda do consumo da sua cultura nos últimos anos.
 
O Brasil precisa estar inserido nesse contexto e se tornar exemplo ao mundo de como é possível associar sustentabilidade a resultados econômicos positivos.