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Eduardo Leal Oliveira Camargo

Especialista em Biotecnologia Florestal da Eldorado Brasil

OpCP83

Inovações da biotecnologia para o melhoramento genético e controle de pragas
A produtividade agrícola ou florestal é resultado de uma série de ações técnicas, desde a escolha do material genético e o melhor manejo, submetidas as variações ambientais e suas consequências. Quando comparada a sistemas de produção anuais, os plantios florestais com ciclos rotacionais longos necessitam cada vez mais de inovações que auxiliem não só a escolha de materiais genéticos mais adaptados e resilientes, como também em novos agentes biológicos que possam ser utilizados no manejo e em resposta ao cenário de mudanças climáticas.
 
Assim como ocorreu na agricultura, a biotecnologia florestal vem assumindo um papel central para a evolução da silvicultura moderna, desenvolvendo e incorporando ferramentas capazes de acelerar programas de melhoramento genético, aumentar a produtividade e aprimorar estratégias de controle de pragas. A integração de abordagens moleculares, genômicas e microbiológicas tem permitido avanços significativos na identificação de genes de interesse, no desenvolvimento de clones mais resistentes e na implantação de métodos de controle biológico mais eficientes.

Uso de ferramentas genômicas e marcadores moleculares no melhoramento
Uma das maiores contribuições recentes da biotecnologia para o setor florestal é a incorporação das informações genômicas nos programas de melhoramento. Conhecer o DNA de cada árvore ficou mais fácil devido à evolução das técnicas de sequenciamento e, com isso, selecionar novos clones utilizando modelos que relacionam essas informações com o desempenho no campo e em respostas a diversas condições ambientais garantindo uma maior eficiência e redução no tempo de seleção, capacidade estratégica para empresas do setor e sustentabilidade da produção florestal. 
 
Desenvolvimento de árvores resistentes a pragas
A informação genômica permite ainda associar determinadas características como a resistência a pragas e patógenos a regiões do DNA, possibilitando a identificação de genes de interesse para modificações genéticas ou por edições via Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMPs). 
 
Embora ainda existam desafios regulatórios e de certificação, resultados já obtidos na agricultura e avanços recentes na área florestal comprovam os ganhos dessas novas tecnologias. 

Em eucalipto, clones geneticamente modificados para resistência a lagartas já são uma realidade. Os genes Cry de Bacillus thuringiensis (Bt) vêm sendo amplamente utilizados na agricultura, e a combinação de dois ou mais genes com mecanismos de ação diferentes tende a mitigar a possibilidade de quebra de resistência e aumentar os mecanismos de ação para outras pragas. 

Abordagem molecular para ampliar a proteção das florestas
Os genes Cry e Vip, dentre muitos outros de Bacillus thuringiensis, também são resultados do sequenciamento de DNA. Hoje cada vez mais é compreendida a importância dos microrganismos, suas interações e associações com as plantas. O conceito de microbioma e os estudos de metagenômica (sequenciamento do DNA da comunidade de microrganismos de uma amostra) vêm possibilitando a identificação de novos microrganismos associados a rizosfera, novos genes, novas interações e o desenvolvimento de inoculantes biotecnológicos, o que possibilita a potencialização da produtividade e a promoção da proteção das culturas agrícolas e florestais. 
 
Essa será uma nova fronteira para o melhoramento genético e proteção de plantas, em qual a capacidade de estabelecer interações com microrganismos será mais uma nova característica incorporada aos programas de seleção de novos materiais. 

Particularmente no setor florestal em que a globalização e aumento da mobilidade de organismos invasores torna o aparecimento de novas pragas e doenças recorrente, as informações genéticas podem ainda ser utilizadas no monitoramento molecular e diagnóstico precoce de doenças e pragas específicas, possibilitando respostas mais rápidas e direcionadas em programas de manejo integrado de pragas.

No mercado de bioinsumos, muitos microrganismos entomopatogênicos (Bacillus, Beauveria, Trichoderma dentre outros) já são amplamente utilizados no controle biológico de pragas. Com avanços dos estudos de metagenômica será possível ainda modificar via engenharia genética microrganismos com potencial biotecnológico para adaptá-los a determinada condição ambiental, espécie, clone, patógeno ou praga específica. 
 
RNA interferente: precisão molecular no controle integrado de pragas
Dentre novas tecnologias inovadoras desenvolvidas por engenharia genética, o RNA interferente (RNAi) vem ganhando destaque com uma abordagem altamente específica para o controle de insetos-praga, já com os primeiros produtos comerciais chegando ao mercado de bioinsumos.

Essa tecnologia baseia-se em um mecanismo natural de silenciamento de genes presente em diversos organismos e consiste na aplicação de um RNA dupla fita, produzido em escala industrial e utilizado da mesma forma que molécula química de produtos tradicionais. Quando ingeridas pelos insetos-pragas, essas biomoléculas ativam o mecanismo de RNAi, levando à redução da expressão do gene-alvo relacionado à sobrevivência e, consequentemente, ao controle da praga. 
 
Uma das vantagens dessa abordagem é a alta especificidade dos alvos, eliminando os riscos para insetos benéficos. Essa TIMP é considerada um insumo biológico, de uso tópico e não acarreta nenhuma modificação genética para a praga e outros agentes do ambiente.

Cada vez mais o futuro da inovação biotecnológica no setor florestal vem do aprimoramento de estratégias visando entender as respostas das nossas florestas às mudanças climáticas e desenvolver bioinsumos que promovam uma maior produtividade e que auxiliem no controle de pragas impulsionadas por condições ambientais desfavoráveis. Essas inovações não apenas ampliam a eficiência do controle de pragas, mas também contribuem para sistemas produtivos mais sustentáveis, reduzindo a dependência de insumos químicos e fortalecendo a resiliência dos plantios.