Me chame no WhatsApp Agora!

Adriana Maugeri

Diretora Executiva da AMS - Associação Mineira de Silvicultura

Op-CP-49

Um futuro melhor para a indústria de árvores
O estado de Minas Gerais é o maior produtor brasileiro de carvão vegetal oriundo de florestas plantadas. Com o reconhecimento de sua importância no cenário nacional e a certeza do caráter decisório que seu desenvolvimento trará para o setor florestal nos próximos anos, é que a necessidade de otimizar o presente e planejar o futuro emergiu entre os principais produtores florestais de Minas Gerais. 
 
Embora líder na produção de carvão vegetal, o mercado mineiro é amplamente diversificado, sendo representado por praticamente todos os segmentos da indústria de base florestal. O estado possui vocação natural para o setor e reconhecida expertise em desenvolver florestas de qualidade que abastecem uma indústria nacional e internacional intensiva em madeira.

Possui uma malha logística atraente; recursos naturais adequados que permitem obter a produtividade almejada; diversidade de produtores experientes; grande parte dos maciços florestais certificados; investimentos em pesquisa e melhoramentos genéticos diferenciados que são responsáveis por uma grande parcela dos clones de eucalipto que o mercado brasileiro utiliza. Por fim, o ambiente receptor do desenvolvimento em bases sustentáveis e duradouras é propício, porém, está ávido por ajustes que permitirão a sua decolagem.
 
Apesar dos aspectos atrativos, da vocação natural e do ambiente propício, por que o setor foi tão impactado nos últimos anos em Minas Gerais? 
 
Esse questionamento ocupa a agenda e os debates do setor produtivo em diversos fóruns e foi compartilhado com o governo do estado que assistiu a estagnação do setor e a fuga de investimentos significativos que reduziram o volume de negócios, e, consequentemente, as divisas estaduais nos últimos anos.
 
Porém, não há mais tempo para discutir uma combinação de probabilidades que deram causa, é hora de movimentar as forças privadas e governamentais para mudar o questionamento: Como retomar o desenvolvimento em bases duradoras? A resposta é simples, investir em diagnósticos precisos, simulações de cenários, planejamentos de médio e longo prazo, ação direcionada e monitoramento constante.
 
A Associação Mineira de Silvicultura e o Governo do Estado de Minas Gerais iniciaram a elaboração do Plano Estratégico Setorial que consiste no cruzamento de visões da iniciativa privada e do governo para viabilizar a manutenção e o desenvolvimento do setor e de sua cadeia de valor com alcance de longo prazo.

O principal resultado esperado será a manutenção da posição de liderança, por meio de um trabalho técnico robusto e especializado que subsidie a tomada de decisões viabilizando o desenvolvimento setorial configurado em um plano de estado que represente de fato o interesse público coletivo.  O direcionador inicial desse trabalho é conhecer profundamente o setor florestal no estado com suas características e comportamento peculiares. 
 
Como exemplo, no segmento de carvão vegetal, mais de 70% de toda produção é de responsabilidade de pequenos e médios produtores que, por outro lado, são os proprietários das menores parcelas de florestas plantadas. Entender como se dão essas relações e práticas é essencial para traçar caminhos sólidos.

Outro exemplo é o desafio de manter a produção de carvão para abastecimento da indústria, porém viabilizando formas de gradualmente reduzir a dependência desse consumo. Após o embalo da última e maior crise que enfrentamos, vários produtores que apostaram no promissor mercado para o eucalipto em meados de 2008-2009, desistiram progressivamente de manter seus plantios. Havia na época uma confiança dos produtores que seriam exitosos em um proclamado “apagão florestal”. Será que a ameaça do apagão ainda sobrevive? Questões como essa, somente um amplo diagnóstico e um mapeamento profundo do mercado serão capazes de orientar para uma resposta conclusiva.
 
Um fato positivo e de aprendizado que a crise trouxe é o reforço à máxima: “Silvicultura não é atividade para aventurar-se”. Representamos uma atividade que nos recepciona com a necessidade de sete anos de fluxo de caixa negativo para realizar seus investimentos e que, muito ao contrário do que é divulgado nos rincões desse País por quem não conhece nossas árvores, trata-se
de uma cultura que o manejo adequado é essencial para produzir madeira com apetite de comercialização. 
 
O simples estímulo ao plantio – sem a assistência técnica adequada, linhas de investimento ajustadas e análises reais de demanda e oferta – já mostrou, em Minas e, em outros estados brasileiros, que não é uma estratégia a ser repetida. A lição foi clara, pois deixou cicatrizes. É momento de abordar pontos que incomodam alguns, mas que são fatores cruciais de sucesso. São eles produtividade, mecanização, transporte, relações comerciais, retorno de investimentos, segurança jurídica, política degradante de preços, déficit hídrico, carga tributária, mão de obra rural, licenciamento ambiental, gestão fundiária e, pesquisa e inovação, para ser sucinta.
 
O Plano Estratégico da Indústria de Base Florestal do Estado de Minas Gerais tem como objetivos gerais: incremento da comunicação setorial, licenciamento simplicado, políticas públicas de incentivo, segurança jurídica, gerenciamento de crises, diversificação do mercado (produtos e demanda), recuperação de áreas degradadas, contribuição à política brasileira sobre mudança do clima, investimento em pesquisa e desenvolvimento, e fortalecimento da associação setorial.
 
O diferencial desse Plano é que ele apresenta a primeira Avaliação Ambiental Estratégica – AAE, integrada a um planejamento de um setor privado no estado e provavelmente no País nessa configuração – uma vez que a ferramenta da AAE ainda é pouco difundida e utilizada no Brasil, embora conste em algumas normas vigentes e outras propostas no nosso ordenamento jurídico.
 
 Por meio da AAE, é possível o uso racional das informações para promover uma análise integrada dos aspectos da atividade econômica, dos territórios regionais, dos recursos naturais e do potencial de desenvolvimento socioeconômico almejado, transcritos aqui de forma resumida, pois suas possibilidades são bem mais amplas. 
 
A partir dessa análise, por exemplo, é possível determinar em um estado, em seus múltiplos territórios, aptidões econômicas dentro de nosso setor que uma vez implantadas serão otimizadoras sociais e ambientais, impulsionando o desenvolvimento local e regional. 
Um empreendedor florestal e/ou industrial terá, previamente à tomada de decisão, informação disponível sobre qual região é mais propícia à implantação do empreendimento pretendido e, por sua vez, quais  mecanismos do governo serão oferecidos para estimular a sua implantação, a qual é vista nesse contexto como um investimento sustentável parceiro e já creditado pela sociedade que é parte fundamental da elaboração da AAE. 
 
O Plano proporcionará ao estado, ajustes normativos legais que orquestrarão o estímulo inteligente ao desenvolvimento desse setor. 
Concluindo, no Plano Estratégico da Indústria de Base Florestal do Estado de Minas Gerais, a AAE tem a função de bússola do planejamento integrado da iniciativa privada e do estado. 
 
Outro destaque que não pode deixar de ser mencionado é que tanto a AAE, quanto o Plano, serão construídos em bases técnicas imparciais, robustas e multidisciplinares, com alto grau de especialização e, sem dúvida, serão argumentos seguros contra aqueles que por desconhecimento insistem em promover os plantios florestais como atividades degradantes. Contra informação técnica comprovada e de qualidade não há argumentos sem embasamentos do mesmo nível. 
 
Para vencer cenários desestimulantes é preciso coragem e determinação para fazer até mesmo o que ninguém ainda fez, para tocar as feridas com o objetivo de fechá-las para proporcionar a renovação. Qualificando a informação, a análise e o planejamento, consequentemente o diálogo e a negociação também acompanharão essa evolução, e é o que o setor buscará juntamente com o estado de Minas Gerais. Certamente ao longo do próximo ano já teremos os primeiros produtos desse inovador trabalho, fruto dessa parceria proveitosa e, sem dúvida alguma, será um marco divisor para um novo futuro que plantamos hoje, já planejando seriamente nossa colheita. 
 
A Associação Mineira de Silvicultura está trabalhando e dando vida a um antigo anseio do setor em escala nacional, é a aposta integral dos produtores sérios e comprometidos que acreditam e investem, mesmo com tantas dificuldades e obstáculos, no estado que tem nas florestas plantadas uma de suas maiores vocações e que é orgulho para o Brasil. 
 
Aqui, o setor está totalmente inter-relacionado entre pequenos, médios e grandes produtores e consumidores. Não há benefícios gerados que não serão absorvidos por todos os elos e compartilhados com a sociedade. Certamente novos mercados serão formados e diversificados com menor dependência e com maior qualidade naquilo que já somos reconhecidos. Minas Gerais está reescrevendo sua história e será ainda mais reconhecida, por que não, como:  “Minas e Florestas Gerais”?